- Em território português houve teatro desde o séc. I ou ainda antes (teatro romano de Lisboa).
- Durante as invasões suevas e visigóticas e dominação árabe foram sempre surgindo actividades esporádicas ligadas às artes cénicas.
- Por toda a Idade Média atingem a Península, concretamente a sua faixa ocidental diversas fontes dramático-espectaculares: Teatro litúrgico-religioso,teatro popular e jogralesco,teatro de origem cortesã.
- O primeiro vestígio documental data do séc. XII, doação de D. Sancho I a dois jograis (Bonamis e Acompaniado).
- Os serões das cortes dos primeiros reis de Portugal seriam animados por trovadores, segréis e jograis, descendentes dos bardos gauleses.
- A actividade jogralesca não pode ser identificada com o teatro, mas envolve uma potencialidade dramática e uma capacidade espectacular que lhe anda próxima.
- Mantinha viva a fonte de potencial dramaturgia popular.
- Bailarinos e acrobatas, cantores e poetas, bobos adestradores de animais, etc.
- Foram várias vezes vítimas de perseguição, o que levou os artistas a tentar definir diversos tipos, categorias ou classes, conforme a habilidade ou arte em que se especializavam.
- O trovador provençal Geraldo Riquier, propunha a seguinte distinção:
- Bufões - Aqueles que exercem arte inferior, exibem em público macacos, cães, cabras, imitam os cantares dos pássaros, tocam instrumentos vários para entreter o vulgo e aqueles que sem possuir arte alguma aparecem na corte.
- Jogral - Aquele que sabe agradar às pessoas de qualidade, tocando instrumentos, contando histórias, interpretando canções e poesias ou exibindo outros talentos.
- Trovador - Aquele que possui o dom de inventar melodias, compor canções para dança, versos, estrofes, baladas, obras e sirventes.
2. Teatro Litúrgico
- Vitorino Nemésio descreveu a cantiga de amigo como um "pequeno drama lírico de amor depurado e profundo, nascido da vida caseira e criado no longo apartamento".
- Os cancioneiros medievais têm vários poemas em forma de diálogo, as tenções, onde é fácil detectar uma intencionalidade teatral, que deriva da alternância de réplicas, perguntas e respostas.
- Goliardos - Jograis especializados na imitação desrespeitosa das cerimónias litúrgicas.
2. Teatro Litúrgico
- Nascido à sombra da igreja, misturado com a representação da Sagrada Escritura.
- A cena medieval surgiu dessas práticas religiosas, que na generalidade dos países deu origem aos esplendorosos ciclos de raiz cristã, verdadeiras paradas em que toda a cidade colaborava - Os mistérios e os milagres.
- Na península não há vestígios textuais destas representações, mas chegaram até nós várias regras religiosas que as proibiam (ou que as permitiam em circunstâncias muito especiais, como no Natal), e que proibiam o contacto do clero com jograis e outros artistas, pelo que se pode confirmar que elas existiam.
- As procissões de Corpus Christi seriam também acompanhadas de intersecções dramáticas.
- Próximas do teatro, tal como hoje o entendemos são algumas das «laudes e cantigas espirituais» do Monge Beneditino André Dias (séc. XIV-XV), que soube conciliar a teologia com a poesia - Adopção do esquema dialogado.
- André Dias descreve as finalidades da sua própria obra: «orar, dizer e cantar e com altas vozes bradar estas prosas, estas laudes e hinos e orações escritas.»
3. Teatro Cortesão
- Momos - Segundo Fernão Lopes, trata-se de um verdadeiro espectáculo ou evocação dramática, evocações pré-teatrais. A palavra pode no entanto também referir-se a máscaras e outros adereços.
- Verdadeiros actores, um mínimo de acção no conjunto e algumas personagens a rezar, cantar ou falar. Falta de unidade de lugar e de palco.
- Unidade de acção: Ex. o matrimónio de Frederico III com a Infanta Leonor, a acção centra-se toda na glorificação dos esposos e na alegria que todos sentem pelo casamento. representação dramática móvel em sete quadros:
1. Eleição de Frederico para imperador; 2. Nomeação pelo bispo de colónia e pelos eleitos alemães; 3. Coroação do Imperador e da Imperatriz pelo papa cercado de cardeais; 4. A benção do bispo, a coroa trazida pelo anjinho a cantar; 5. Um pregador elogia os feitos de antigos reis de Portugal (enquanto outros actores aparecem vestidos desses mesmos reis); 6. Três anjinhos exortam D. Leonor à fé, esperança e caridade; 7. Treze profetas auguram destinos felizes ao casal.
- Pouco mais se sabe acerca do espectáculo medieval português.
Bibliografia: Cruz, Duarte Ivo - História do Teatro Português, ed. Verbo.

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