Notes on Medieval History and Others

terça-feira, 26 de junho de 2012

Teatro Medieval - O Teatro Pré-Vicentino

  • Em território português houve teatro desde o séc. I ou ainda antes (teatro romano de Lisboa).
  • Durante as invasões suevas e visigóticas e dominação árabe foram sempre surgindo actividades esporádicas ligadas às artes cénicas.
  • Por toda a Idade Média atingem a Península, concretamente a sua faixa ocidental diversas fontes dramático-espectaculares: Teatro litúrgico-religioso,teatro popular e jogralesco,teatro de origem cortesã.
1. Teatro Popular
  • O primeiro vestígio documental data do séc. XII, doação de D. Sancho I a dois jograis (Bonamis e Acompaniado).
  • Os serões das cortes dos primeiros reis de Portugal seriam animados por trovadores, segréis e jograis, descendentes dos bardos gauleses.  
  • A actividade jogralesca não pode ser identificada com o teatro, mas envolve uma potencialidade dramática e uma capacidade espectacular que lhe anda próxima. 
  • Mantinha viva a fonte de potencial dramaturgia popular.
  • Bailarinos e acrobatas, cantores e poetas, bobos adestradores de animais, etc. 
  • Foram várias vezes vítimas de perseguição, o que levou os artistas a tentar definir diversos tipos, categorias ou classes, conforme a habilidade ou arte em que se especializavam. 
  • O trovador provençal Geraldo Riquier, propunha a seguinte distinção:
           - Bufões - Aqueles que exercem arte inferior, exibem em público macacos, cães, cabras, imitam os     cantares dos pássaros, tocam instrumentos vários para entreter o vulgo e aqueles que sem possuir arte alguma aparecem na corte.
           - Jogral - Aquele que sabe agradar às pessoas de qualidade, tocando instrumentos, contando histórias, interpretando canções e poesias ou exibindo outros talentos. 
          - Trovador -  Aquele que possui o dom de inventar melodias, compor canções para dança, versos, estrofes, baladas, obras e sirventes.
  • Vitorino Nemésio descreveu a cantiga de amigo como um "pequeno drama lírico de amor depurado e profundo, nascido da vida caseira e criado no longo apartamento".
  • Os cancioneiros medievais têm vários poemas em forma de diálogo, as tenções, onde é fácil detectar uma intencionalidade teatral, que deriva da alternância de réplicas, perguntas e respostas.
  • Goliardos - Jograis especializados na imitação desrespeitosa das cerimónias litúrgicas. 



2. Teatro Litúrgico 
  • Nascido à sombra da igreja, misturado com a representação da Sagrada Escritura.
  • A cena medieval surgiu dessas práticas religiosas, que na generalidade dos países deu origem aos esplendorosos ciclos de raiz cristã, verdadeiras paradas em que toda a cidade colaborava - Os mistérios e os milagres.
  • Na península não há vestígios textuais destas representações, mas chegaram até nós várias regras religiosas que as proibiam (ou que as permitiam em circunstâncias muito especiais, como no Natal), e que proibiam o contacto do clero com jograis e outros artistas, pelo que se pode confirmar que elas existiam. 
  •  As procissões de Corpus Christi seriam também acompanhadas de intersecções dramáticas. 
  • Próximas do teatro, tal como hoje o entendemos são algumas das «laudes e cantigas espirituais» do Monge Beneditino André Dias (séc. XIV-XV), que soube conciliar a teologia com a poesia - Adopção do esquema dialogado.
  • André Dias descreve as finalidades da sua própria obra: «orar, dizer e cantar e com altas vozes bradar estas prosas, estas laudes e hinos e orações escritas.»
3. Teatro Cortesão
  • Momos - Segundo Fernão Lopes, trata-se de um verdadeiro espectáculo ou evocação dramática, evocações pré-teatrais. A palavra pode no entanto também referir-se a máscaras e outros adereços.
  • Verdadeiros actores, um mínimo de acção no conjunto e algumas personagens a rezar, cantar ou falar. Falta de unidade de lugar e de palco
  • Unidade de acção: Ex. o matrimónio de Frederico III com a Infanta Leonor, a acção centra-se toda na glorificação dos esposos e na alegria que todos sentem pelo casamento. representação dramática móvel em sete quadros: 
            1. Eleição de Frederico para imperador; 2. Nomeação pelo bispo de colónia e pelos eleitos alemães; 3.    Coroação do Imperador e da Imperatriz pelo papa cercado de cardeais; 4. A benção do bispo, a coroa trazida pelo anjinho a cantar; 5. Um pregador elogia os feitos de antigos reis de Portugal (enquanto outros actores aparecem vestidos desses mesmos reis); 6. Três anjinhos exortam D. Leonor à fé, esperança e caridade; 7. Treze profetas auguram destinos felizes ao casal. 
  • Pouco mais se sabe acerca do espectáculo medieval português. 
Bibliografia: Cruz, Duarte Ivo - História do Teatro Português, ed. Verbo. 

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