Notes on Medieval History and Others

domingo, 9 de janeiro de 2011

D. Afonso Henriques "O Conquistador" - 1143 – 1185



  • Provavelmente em  1109, nasce Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha e da infanta Teresa de Leão.
  • A sua mãe era filha ilegítima do Rei Afonso VI de Leão e Castela, a quem Afonso VI doara o Condado de Portucale pelo casamento. Há quem defenda também que era filho de Egas Moniz.
  • Almeida Fernandes, autor da hipótese que indica Viseu como local de nascimento de D. Afonso Henriques refere a probabilidade de ter nascido em Agosto, enquanto outros autores, baseando-se em documentos que remontam ao século XIII referem a data de 25 de Julho do mesmo ano.
  • Já foram defendidas outras datas e locais para o nascimento do primeiro rei de Portugal, como o ano de 1106 ou de 1111 (hipótese avançada por Alexandre Herculano após a sua leitura da "Crónica dos Godos").
  • Tradicionalmente, acredita-se que terá nascido e sido criado em Guimarães, onde viveu até 1128.
  • Mas há ainda quem defenda Coimbra como local provável  para o nascimento do primeiro Rei de Portugal.
  • Tradicionalmente teria sido criado por Egas Moniz de Ribadouro, “o Aio”, mas há dúvidas sobre se teria sido antes Ermígio Moniz, o irmão. Considera-se que teria sido alguém da família de Ribadouro.
  • Henrique de Borgonha, o pai, era um aventureiro, ousado e ambicioso, de alta descendência, verdadeiro chefe do grupo de cavaleiros, monges e clérigos de origem francesa que desempenhou papel importante na remodelação da política e da igreja do ocidente peninsular (séc. IX) – Trouxeram costumes monásticos cluniacenses, preencheram lugares eclesiásticos e políticos. Henrique morreu quando o filho tinha apenas dois anos. 
  • D. Teresa: Não era um modelo de virtudes cristãs, mas também não era uma mulher de costumes depravados (embora tivesse coabitado sucessivamente com os dois irmãos Trava, o que para a época era um escândalo). Personalidade ambiciosa, fortemente convencida do seu direito a herdar um dos Estados governados pelo seu pai (Galiza). Nunca reconheceu a irmã como rainha e herdeira do pai. Intitulava-se rainha. Conviveu pouco com o filho. Em 1112 fica viúva.  Aproximadamente em 1116, D. Teresa aproxima-se dos Travas, que a encorajam a reivindicar o senhorio da Galiza – Por esta altura envolve-se com Bermudo Peres de Trava, filho de Pedro Froilaz. Em 1121 Fernão Peres já estava na sua corte. Não se sabe se chegou mesmo a casar com ele.
  • A Infância e a AdolescênciaClima de intensas lutas, intrigas e contradições.
  • Pressão para que tomasse partido entre as posições assumidas pelos senhores e familiares que viviam à sua volta. 
  •   Em 1122 o panorama político alterou-se, tinha o infante 13 anos.
  •  Deixam de figura como confirmantes dos diplomas da “rainha”, os nobres Soeiro Mendes de Sousa, Ermígio, Egas e Mendo Moniz de Ribadouro, Paio Soares da Maia e Sancho Nunes de Barbosa – Oposição à autoridade confiada ao Conde de Trava pela rainha.
  • Eram os mais respeitados nobres de Entre Douro e Minho.
  • O mais verosímil é que os senhores portucalenses se tenham revoltado porque Fernão Peres os excluíra de qualquer papel de chefia no combate ao Islão (da glória inerente à participação na guerra santa e das vantagens materiais e simbólicas).
  •  1125 – Nova vaga de deserções na corte – A revolta estendia-se a todo o Entre Douro e Minho (a sul atingia a Terra de Santa Maria).
  • A revolta dos barões portucalenses não foi, de início comandada por D. Afonso Henriques, pois em 1122 este era demasiado jovem.
  • Para além disso, viveu com o seu aio até aos 11 ou 12 anos, mas em 1120 deixou de estar na sua dependência – A partir daí passou a subscrever os documentos de D. Teresa (até 1127). Confirma-os em posição superior à do Conde de Trava, mas juntamente com ele.
  •   Até 1127 (tinha 18 anos), não há indícios de conflitos entre ele e a rainha.
  • Em 1125, Afonso Henriques ter-se-á investido como cavaleiro, na Sé de Zamora, no dia Santo de Pentecostes, teria 16 anos.
  • Zamora pertencia ao senhorio de D. Teresa, pelo que a cerimónia ter-se-á realizado com o seu consentimento – Para assegurar os direitos de D. Afonso à sucessão.
  • 8 de Março de 1126 – Morre D. Urraca e sucede-lhe Afonso Raimundes (Afonso VII). 
  •  Setembro e Outubro de 1127 – Percorria o norte de Portugal para exigir pela força o reconhecimento da sua autoridade por parte dos senhores galegos e portugueses - O Cerco de Guimarães.
  •   É difícil saber quem tomou a iniciativa do acordo entre Afonso e a nobreza.
  • As circunstâncias em que se deu o cerco e a participação nele de nobres revoltosos terão facilitado o acordo.
  •  Devem ter pensado que se tornaria fácil convencer aquele jovem de 18 anos a defender os seus interesses, se lhe entregassem o poder.
  • O infante começou, pouco depois do cerco de Guimarães, a exercer actos de soberania – Apropriou-se portanto do condado, contra a vontade da mãe.
  • Depois do cerco de Guimarães, Afonso tomou do padrasto o Castelo de Santa Maria da Feira.
  • S. Mamede - As conversações não resolveram o conflito, o confronto armado era inevitável.
  •   24 de Junho de 1128 – Festa litúrgica de S. João Baptista.
  • Batalha campal perto do Castelo de D. Afonso, em Guimarães, entre as suas tropas e as da sua mãe.
  • Afonso Henriques apoderou-se da herança de D. Teresa pela força, mas ao contrário do que diz a tradição do povo, D. Teresa e o Conde, pouco tempo depois, estavam livres na Galiza, com as duas filhas Sancha e Teresa Fernandes, ainda pequenas.
  • D. Teresa morreu em 1130 (no 2.º ano do “reinado” do Infante).
  • Fernão Peres de Trava ofereceu uma herdade à Sé de Coimbra pela alma da esposa.
  • A reconciliação do Senhor de Trava com D. Afonso Henriques foi anterior à morte de D. Teresa (confirmou doações do infante). 
  • O fundador da nacionalidade devia o seu poder aos nobres – O auxílio prestado pelos Barões Portucalenses obrigava-o a ser generoso para com eles.
  •   Situação de dependência nos primeiros tempos do seu governo.
  •  Os primeiros diplomas emitidos pelo príncipe favorecem a igreja (pobres eremitas e mosteiro).
  • Quis captar a benevolência das duas categorias extremas da hierarquia eclesiástica: A máxima autoridade religiosa do condado e os religiosos mais pobres.
  • O Arcebispo de Braga, Paio Mendes, representava a outra força essencial que colaborou para que Fernão Peres de Trava fosse vencido.
  • Era contra as pretensões do Arcebispo de Compostela (Guelmírez). Reivindicava para si o exercício da autoridade canónica sobre as dioceses portuguesas. Queria independência do seu rival de Compostela. 
  • João Peculiar sucedeu a Paio Mendes, em 1139, no cargo de chanceler e defendeu mais a independência política do rei, do que a sua submissão ao partido feudal.
  • Afonso vai progressivamente libertando-se dos compromissos com a nobreza. 
  • Tudo começa quando o infante se estabelece em Coimbra e acentua-se com a conquista de Lisboa – Protecção das comunidades vilãs e das ordens militares.
  • Evolução de uma situação tipicamente feudal para um efectivo exercício do poder político, por intermédio das suas funções guerreiras.
  • Sobretudo na frente muçulmana, onde conta com a importante colaboração dos cavaleiros – vilãos e das ordens militares.
  • O rei vai-se libertando da tutela dos ricos – homens nortenhos para se apoiar numa nobreza mais fiel e dependente sem tradições muito antigas, e que lhe deve a sua promoção (ex. família Soverosa, oriunda talvez de um bastardo galego que ascende de alferes a mordomo-mor). 
  •  O rei devia possuir qualidades políticas excepcionais – Coerência de opções durante todo o reinado – Rigorosa continuidade das suas orientações.
  • Mas terá sido também influenciado pessoalmente por João Peculiar, um dos fundadores de Santa Cruz de Coimbra, depois bispo do Porto e Arcebispo de Braga.
  •  1129 – Afonso confirma doação de D. Teresa à Ordem militar do templo.
  • As divergências de S. Mamede passavam para segundo plano quando estava em causa um ideal que envolvia toda a cristandade – Concretizado nas cruzadas.
  • Ampla corrente religiosa, cultural, social e económica orientada para Jerusalém (o centro do mundo, na mente dos europeus)
  • A mudança de residência de Afonso Henriques de Guimarães para Coimbra constituí um facto da maior importância histórica – A decisão mais transcendente para a sobrevivência de Portugal como nação sobrevivente, em cinco aspectos:
1.    A nobreza senhorial
2.    Os cavaleiros – vilãos
3.    As estruturas urbanas
4.    A guerra externa
5.    A cultura moçárabe

  • O Mosteiro de Santa Cruz - 1131 (lançamento da primeira pedra a 28 de Junho) – Fundação de uma comunidade de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, pelo arcediago da sé da mesma cidade, o presbítero Telo, associado a João Peculiar.
  • Afonso ofereceu-lhes uma importante propriedade urbana junto dos muros da cidade, onde estavam situados os banhos muçulmanos. 
  • Afonso Henriques apresentava-se como neto do imperador Afonso VI e como tal achava-se no direito de herdar alguns dos Estados de seu avô. 
  •  Conflitos armados nas fronteiras galega e leonesa – Afonso pretendia não só alargar o seu território, mas também mostrar que tinha direito de aceitar vassalos, mesmo em território galego e que não necessitava do acordo do primo. 
  • Afonso Henriques aproveitou a rebelião de Garcia de Navarra para ocupar pela força os condados de Toroño e de Límia, nomeadamente Tui.
  • Aí foi assinado um pacto com o primo (1137).
  • Considera-se que Afonso teve de deixar a sua posição favorável nessas terras para ir defender o castelo de Leiria, cujo ataque mouro era uma ameaça à cidade de Coimbra. 
  • A Batalha de Ourique - Em 1139, Afonso terá organizado um grande fossado, em pleno gharb – A incursão em território inimigo terá sido interceptada em Ourique pelo rei Esmar, que foi vencido e teve de abandonar o campo.
  •  Ourique seria em princípio uma extensão de território despovoado que abrangia quase todo o Baixo Alentejo. 
  • As incursões militares profundas e prolongadas eram frequentes – O fossado português deve ter penetrado até à Andaluzia e trouxera muitos despojos e cativos, até que foi interceptado pelo inimigo mas conseguiu vencê-lo.
  • A tradição diz que antes do combate, Afonso foi aclamado rei pelas suas tropas, alçado num escudo.
  • Podia haver uma coincidência aproximada entre a data da batalha e o novo título atribuído pelos notários régios ao infante de Portugal. 
  • Afonso deve o sucesso do seu reinado, não apenas ao seu talento militar, mas também à
    colaboração de auxiliares dedicados e inteligentes:
    ü  S. Teotónio
    ü  D. João Peculiar
    ü  Ermígio e Egas Moniz
    ü  Fernão Peres Cativo



  • Recontro de Valdevez (1141) - Afonso VII, depois de vencer o rei Garcia de Navarra, confiou aos condes de Castela a defesa da frente oriental e dirigiu-se com um grande exército à fronteira portuguesa (c/ a Galiza), onde começou a devastar a terra.

  • Tudo porque Afonso Henriques queria ter como vassalos senhores de territórios que pertenciam à Galiza. 
  • Afonso Henriques reuniu também as suas tropas e atacou um grupo de leoneses, capturando o conde Ramiro.
  • Existe ainda outra versão que diz que antes de se dar a batalha houve um «bafordo» (torneio a cavalo), proposto pelos portugueses para evitar a batalha.
  • D. João Peculiar serviu de mediador entre os dois primos.
  • De qualquer modo, Afonso VII, teria aceite a proposta de paz para evitar uma mortandade inútil. 
  • O recontro terminou com um pacto de tréguas – Remetendo para mais tarde as questões que os opunham.
  • Não voltaram a registar-se confrontações na fronteira galega até à morte de Afonso VII.
  • Ataques Mouros em 1140 - Destruição do castelo de Leiria.
  • A partir de 1143, no mundo árabe, os almóadas começavam a destituir os almorávidas. 
  • Às tendências institucionais e aristocráticas dos seus adversários, os Almóadas opunham uma vivência carismática, popular, contestatária e fundamentalista.
  • Os almoádas estavam descontentes com o insucesso dos almorávidas em revigorar os estados muçulmanos na Península Ibérica, bem como em suster a reconquista cristã.

  • Miles Sancti Petri
  • No verão de 1143, chegou ao reino de Leão o cardeal legado da Sé Apostólica, Guido de Vico.
  •  A 5 de Outubro de 1143, foi assinado o Tratado de Zamora, diploma resultante da conferência de paz entre Afonso Henriques e Afonso VII, na presença do cardeal Guido de Vico.
  • Considerada a data do início do reinado de Afonso Henriques.
  • Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser Reino, tendo D. Afonso Henriques como seu "rex" (rei).
  • Embora reconhecesse a independência, D. Afonso Henriques continuava a ser seu vassalo, pois D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela, considerava-se imperador de toda a Hispânia.
  • Contudo nunca D. Afonso Henriques lhe prestou vassalagem, sendo caso único de entre todos os reis existentes na península Ibérica.
  • Comprometeu-se então o monarca português, ante o cardeal, a considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.
  • A 13 de Dezembro de 1143, Afonso dirigiu uma carta ao Papa declarando que  tinha feito homenagem à Sé Apostólica nas mãos do cardeal Guido como cavaleiro de S. Pedro (miles sancti petri).
  • E que se obrigava a pagar à Santa Sé o censo anual de quatro onças de ouro (o que respondia aos apelos da mesma), sob a condição de o Papa defender a sua honra e a dignidade da sua «terra».
  •  No mesmo documento afirmava que não reconhecia a autoridade de nenhum outro poder eclesiástico ou secular, a não ser o do Papa – Carta de vassalagem do rei à Santa Sé (Claves Regni Celorum – primeiras palavras do documento).  
  • Aceitação da homenagem ao Papa em vez da que, até ali o vinculava ao rei de Leão.
  • Não se conhece nenhuma reacção de Afonso VII até 1148 – Protestou junto do Papa por causa de a cúria romana ter aceitado favores que o prejudicavam. 
  • D. João Peculiar empreendeu em 1144 nova viagem a Roma, para o Papa definir a sua isenção da autoridade episcopal e incluir o mosteiro de Grijó no património da Sé Apostólica. Quis levar pessoalmente a carta de vassalagem do rei.
  • A aceitação da homenagem do rei, pelo Papa Lúcio II, na Bula Devotionem Tuam, de 1 de Maio de 1144, foi um fracasso, pois o papa deu a Afonso Henriques apenas o título de dux, o que deve ter sido humilhante para o rei.
  • Para a cúria romana, não estava provada a sua verdadeira independência.
  • Ainda só tinham como prova a batalha de Ourique, Lisboa ainda não tinha sido conquistada.
  • Aos 37 anos, Afonso continuava solteiro. 

  • Conquista de Santarém: Madrugada de 15 de Março de 1147 (conquista numa só madrugada!).
  • Ataque Surpresa - Poderá no entanto ter havido ajuda de alguém de dentro, uma vez que em Santarém existiam muitos moçárabes.
  • Afonso deve ter permanecido em Santarém para consolidar a sua posição durante dois ou três meses, e para bater os arredores. 
  • Conquista de Lisboa -  25 de Outubro de 1147 - Depois de um cerco de quase 4 meses e com a ajuda dos cruzados que iam para a Terra Santa - Alemães, Flamengos e Bolonheses, Ingleses e Normandos.

  • A Reorganização do Reino
  •    O repentino alargamento da fronteira, em 1147, não podia deixar de intensificar o fluxo migratório para sul.
  • A canalização dos excedentes populacionais do norte para a Estremadura e mesmo para as terras menos acolhedoras a leste do Zêzere equilibrou a relação entre a população e os recursos naturais.
  • O alargamento do território submetido ao primeiro rei de Portugal, incorporando nele duas importantes cidades, dotadas de grandes potencialidades económicas consolidou o seu poder político.
  • Garantiu a sua sobrevivência definitiva, enquanto nação, que até aqui estava em risco pelo crescente poder do rei de Leão e Castela e pelo rei de Aragão.
  •  Depois da conquista de Lisboa, Afonso aproveitou o abandono das fortificações que protegiam a cidade para as ocupar rapidamente.
  • Apoderou-se sem dificuldade de Sintra a norte e de Palmela e Almada a sul.
  •  Afonso VII morre em Agosto de 1157.  Em 1155, dois anos antes de morrer, Afonso VII decidiu dividir o reino pelos dois filhos, deixando Castela ao mais velho, Sancho III e Leão ao mais novo Fernando II. 
  • No fim de Agosto de 1158, morre inesperadamente Sancho III de Castela.
  •  Como se procedesse a uma manobra de antecipação contra uma eventual reunificação de Leão e Castela e consequente reforço do poder leonês, Afonso Henriques entra, no mês de Setembro no condado de Toroño à frente do seu exército.
  •   Parece ter havido muitos combates até meados de Novembro.
  • Em 1158 (Setembro), assinou com Fernando II um acordo de tréguas.
  • O rei de Leão precisava de espaço de manobra para resolver o problema da sucessão de Castela. Existia um herdeiro, Afonso VIII, de apenas 3 anos. 
  • Entregaram a tutoria do menino a Guterre Fernandes de Castro e a regência do reino a D. Manrique de Lara.
  •  Durante o ano de 1159 sucederam-se combates entre Leoneses e Castelhanos.
  •  Afonso Henriques continuou a dominar o território de Tui.
  •  Em 1160 (Janeiro), negociou com o conde de Barcelona, Raimundo Berenguer IV, casado com Petronilha, herdeira do reino de Aragão, o casamento da infanta Mafalda (6 ou 7 anos) com o futuro Afonso II de Aragão (3 ou 4 anos).
  • Este contrato considera-se como o indício do começo do período dos «cinco reinos»: Portugal, Leão, Castela, Navarra e Aragão.
  • Durante o qual não se verificou a supremacia de nenhum deles e que todos mantêm uma relativa consistência interna.
  • Os conflitos são compensados por alianças pontuais ou recorrentes, o que permite prolongar o equilíbrio, apesar de instável.
  •  A negociação do casamento da infanta Mafalda significava a aceitação de Afonso Henriques como um parceiro de pleno direito no mercado matrimonial das cortes ibéricas.
  • Tanto Portugal, como Aragão, tiveram várias vezes de unir forças para resistir ao expansionismo castelhano ou castelhano – leonês.
  • No fim do ano de 1160, o rei de Leão tinha recuperado forças e impôs a Afonso Henriques o acordo no qual este se comprometia a devolver-lhe Tui.
  • Mas durante 1162, Afonso exercia actos de soberania sobre Límia e no ano seguinte conseguia recuperar Toroño.
  •  No verão de 1162, faleceu Ramon Berenguer IV e Fernando II de Leão, convenceu a rainha Petronilha de Aragão a anular o compromisso com Afonso Henriques e a casar antes o seu filho, futuro Afonso II de Aragão, com D. Sancha, filha do segundo casamento de Afonso VII (portanto irmã de Fernando II), que teria 7 anos.
  • Com a revolta dos cavaleiros de Salamanca, Afonso Henriques veio até à cidade, onde nos primeiros meses de 1163 exerceu actos de soberania.
  •    Em Castela continuavam as lutas entre Laras e Castros.
  •  1165 – A presença de Afonso Henriques na Galiza tornou-se mais agressiva – Instala-se no castelo de Cedofeita e dirige ataques contra Pontevedra, Ribadavia e Orense.
  •  Em Maio desse ano, faz novo acordo com Fernando II em Pontevedra, combinando o casamento deste com a sua filha Urraca, de 17 anos.
  • Mas havia um impedimento canónico, pois Urraca e Fernando II tinham o mesmo bisavô, Afonso VI (o casamento viria a ser anulado em 1175).
  • Do casamento nasceu o futuro rei Afonso IX de Leão, em Agosto de 1171, primeiro neto de Afonso Henriques
  • Afonso Henriques deve ter mantido domínio sobre os dois condados galegos de Límia e Toroño até 1169.
  •  A guerra era uma forma de pressão para conseguir acordos vantajosos, como o casamento de Urraca, que confirmava a posição do rei de Portugal ao nível dos restantes soberanos peninsulares. 
  • A conquista de Alcácer do Sal abriu o caminho a novas incursões a sul do Tejo.
  •  Tornaram-se habituais os bandos de arqueiros atraídos pelo saque, que actuavam na fronteira por conta própria, sem coordenação com as tropas recrutadas pelos reis de cada país.
  • Podiam negociar a sua colaboração com os cristãos ou com os almóadas.
  • Havia ainda os mercenários, contratados pelos reis para combater integrados em exércitos regulares ou recrutados por senhores de taifas.
  •   É surpreendente verificar que a conquista de Beja (1 de Dezembro de 1162) se deu antes de Évora, pois situava-se numa posição recuada em relação com a fronteira. 

  • Geraldo Sem – PavorUsava a técnica de atacar de noite, durante o inverno, e não na primavera ou verão como era costume.
  •  Conseguia penetrar nas fortalezas por meio de escadas encostadas às muralhas.
  •   Évora foi tomada por ele pelos «ladrões seus companheiros».
  • Geraldo actuava por conta própria, e embora tivesse durante anos colaborado com Afonso Henriques, com quem negociou a posse de Évora depois de a ter conquistado (1165) e a quem se associou para tentar apoderar-se de Badajoz, viria a pôr-se ao serviço do Emir de Marrocos.
  • 1166 – Serpa e Juromenha – Instalou-se então neste castelo, servindo de base para atacar Badajoz.
  • Eliminadas as fortificações exteriores de defesa, Badajoz ficava isolada.
  •  Era uma cidade populosa e rica, a mais importante da fronteira ocidental e comandava as operações militares contra os reinos de Leão e Portugal.
  • Afonso Henriques tinha, até 1165 permanecido em contacto frequente com a Galiza.
  •  Em Maio ou em Junho assistiu ao casamento da filha Urraca, pouco tempo depois deve ter ido a Évora negociar a entrega da cidade.
  •  Évora era um dos centros islâmicos mais importantes do Gharb. Para reforçar a sua defesa, Afonso reedificou o castelo de Coruche.
  • Situado numa posição estratégica fundamental como elo de ligação e de controlo da via que assegurava a comunicação de Évora a Santarém.
  •    Estava demasiado exposta aos ataques almóadas devido à sua proximidade da fronteira.
  • Pela mesma altura ou pouco depois Afonso conquistou os castelos de Moura, Serpa (pode ter sido vendido ao rei por Geraldo) e Alconchel (últimas defesas de Badajoz).
  • Badajoz daria a Portugal a plena posse da antiga província romana da Lusitânia.
  • No entanto passaram mais de dois anos até que Afonso e Geraldo tentassem conquistar tal cidade. 
  • Permitiu reparar as muralhas de Évora e reunir as forças necessárias para um cerco demorado (já não podiam contar com as vantagens de um ataque surpresa).
  • A sacralização do poder político: O combate pela defesa do reino dava direito aos mesmos privilégios espirituais que a luta pela fé.
  •  Durante estes ataques de Geraldo e Afonso, Fernando II estava demasiado ocupado a tentar reunificar os reinos de Leão e Castela depois da morte do irmão, lutando contra os nobres de Castela que tinham a tutela do sobrinho.
  • Afonso Henriques deve ter considerado que era a ocasião propícia para tomar Badajoz.
  •  3 de Maio de 1169 – Geraldo conseguiu romper as muralhas exteriores da cidade.
  • A guarnição militar muçulmana refugiou-se na alcáçova (zona em cota mais elevada e mais protegida dentro de um castelo, com funções de defesa, onde residiam as autoridades civis ou eclesiásticas da povoação).
  • Perante a sua resistência, Afonso, que não devia estar longe, marchou à frente das suas tropas para ajudar os sitiantes.
  • O califa de Marrocos reuniu um grande exército para socorrer a cidade.
  •   Quando as tropas de socorro chegaram a Sevilha souberam que o Rei Fernando II também tinha marchado em direcção a Badajoz.
  • Aliou-se aos Almóadas para impedir os Portugueses de se apoderarem da cidade.
  • O rei de Leão acampou junto da cidade, mandou um mensageiro ao governador almóada (na alcáçova) para o encorajar a resistir.
  •  Os muçulmanos fizeram uma investida inesperada na zona da Medina, conseguiram chegar às portas exteriores e abriram-nas, permitindo a entrada dos seus aliados.
  • Geraldo e Afonso Henriques tiveram de se retirar precipitadamente.
  • Quando Afonso tentava fugir a cavalo chocou contra o ferrolho de uma das portas da muralha exterior e partiu a perna direita. Transportado pelos seus companheiros de armas conseguiu chegar até Caia, mas foi capturado pelos Leoneses que o levaram até Fernando II.
  • O rei de Leão, seu genro, prendeu-o durante dois meses.
  • Por fim deu-lhe a liberdade mediante a cedência da maioria dos castelos que ele e Geraldo tinham conquistado a leste do Guadiana.
  • Mais a promessa de cessar os ataques a Badajoz e o abandono de todas as terras da Galiza de que se apoderara.
  • Uma vez libertado, Afonso foi para Coimbra e dali para as termas de S. Pedro do Sul (Lafões) onde permaneceu convalescente durante alguns meses.
  •  Geraldo também foi preso, mas obteve a liberdade mediante a entrega a Fernão Rodrigues de Castro (governador de Toledo nomeado por Fernando II) das praças em poder dos seus homens: Montánchez, Trujillo, Santa Cruz e Monfrague.
  • Fernando II ficava com Albuquerque e Cáceres. 
  • A predominância da ofensiva Portuguesa, tal como a Leonesa e a Castelhana tinha chegado ao fim.
  •  Já não se tratava de ocupar novos territórios, mas de não perder os adquiridos.
  • Assegurar a defesa: O repovoamento de territórios conquistados. O auxílio de Gualdim Pais, mestre templário (1125?-1195).
  •  D. Afonso Henriques deixou de poder andar a cavalo.
  • O que lhe deve ter trazido graves limitações às suas responsabilidades governativas.
  • As viagens do rei não eram apenas necessárias para a guerra – A deslocação constante da corte e a presença física do rei em todo o território eram indispensáveis à governação.
  • Era por isso humilhante para o rei estar em tal condição.
  • Acabara de fazer 60 anos – Sendo a esperança média de vida 30 anos, o rei tinha de se considerar já velho. 
  • Os acontecimentos negativos começam por invadir a corte, devido à imobilização do rei (2 meses), de repente tudo se punha em causa.
  • Não havia nenhuma autoridade óbvia além do rei. D. Mafalda já tinha morrido há 11, 12 anos e o príncipe Sancho era ainda demasiado jovem (15 anos).
  • O Alferes – Mor há mais de 20 anos, Pêro Pais da Maia, abandonou a corte para ir servir Fernando II.
  • Morreram os mais fieis auxiliares de Afonso Henriques.
  • As dificuldades que Portugal teve de suportar a partir de 1169, atenuaram-se entre 1175 e 1180.
  •  O Príncipe Herdeiro  Sancho, já armado cavaleiro começava a comandar o exército.
  •  Afonso continuou a orientar o reino como co-regente. 
  • Em 1174 Sancho casou-se com D. Dulce de Aragão, filha de Raimundo Berenguer IV e Petronilha de Aragão e irmã de Afonso II de Aragão, que havia rompido o casamento com D. Mafalda.
  • A posição de Sancho como futuro rei não podia deixar de consolidar-se com o casamento.
  • A primeira filha, infanta Teresa Sanches nasceu em 1175 (Afonso teria 66 anos).
  • Do casamento, extremamente fecundo, nasceram sete filhas e quatro filhos.
  • Afonso Henriques, forçado à imobilidade, podia minorar as suas prováveis impaciências entretendo-se com os seus netos.
  • D. Teresa, D. Sancha e D. Constança, nascidas entre 1175 e 1182, ainda em vida do avô.
  •   Em 1170 Geraldo ainda tentou novamente conquistar Badajoz, provavelmente com a ajuda do príncipe D. Sancho.
  • Mas não teve sucesso. Tentou então lutar ao lado dos Almóadas. Acabou preso e condenado à morte em 1173.
  • Entretanto foram criadas as Ordens Militares de Santiago da Espada em Cáceres e a Ordem de Évora, para auxílio dos Templários na defesa da fronteira.

  • Bula Manifestis Probatum Est
  • Três meses depois de Afonso ter ditado o seu primeiro testamento, no dia 23 de Maio de 1179.
  • O Papa Alexandre III, por meio da Bula Manifestis Probatum Est, reconheceu a Afonso Henriques o título de rei, declarou que o tomava a ele e aos seus herdeiros sob a protecção da Santa Sé, considerou Portugal como um reino pertencente a S. Pedro e prometeu o auxílio Papal sempre que fosse necessário defender a dignidade régia do soberano português.
  • Terminava assim o longo período de trinta e seis anos que mediou entre a homenagem prestada por Afonso ao Papa como Miles Sancti Petri e o pleno reconhecimento da sua dignidade e independência.
  • Provavelmente por em testamento o rei se dispor a duplicar o montante do censo.
  • Em 1185, os Almóadas cercam Santarém, mas são vencidos pelos Portugueses comandados pelo príncipe Sancho, que inclusive matam o califa.
  •  O rei estava velho, tinha já 75 anos e tinha ultrapassado de longe a idade com que os guerreiros morriam naquele tempo.
  • O condado que herdara havia-se tornado, graças ao seu valor militar, à sua sagacidade política e à inteligente colaboração de alguns, um verdadeiro reino.
  • Não muito vasto, nem muito rico, mas com número suficiente de habitantes e diversidade de recursos para subsistir.
  • A futura rainha Dulce tinha já três filhas e era de esperar que em breve aparecesse um menino, o que veio a acontecer em 1186 (Afonso II).
  • Por isso a infanta Teresa Afonso, que até ali fora considerada herdeira de recurso em caso de morte de Sancho podia agora aceitar propostas de casamento.
  • Foi o que aconteceu em 1184, no verão, já com 33 anos, a princesa foi dada em casamento por seu pai a Filipe da Alsácia, conde da Flandres, viúvo há sete anos.
  •  Afonso teria grande predilecção por esta filha, o certo é que enviou com ela um séquito carregado de magníficos presentes que causaram a admiração do conde e da sua corte e chamaram a atenção dos cronistas da época.
  •  Afonso Henriques morreu no fim do Outono de 1185, a 6 de Dezembro, aos 76 anos.
  • Foi sepultado no mosteiro que ajudou a fundar, junto da esposa e provavelmente dos filhos que já tinham morrido.
  • Depuseram o seu corpo num túmulo que o seu sucessor D. Manuel considerou demasiado modesto e que por isso mandou reformar em 1515.
  • O primeiro túmulo ostentava uma inscrição latina que testemunhava bem a veneração que rodeava o velho rei.
«Aqui jaz um outro Alexandre, ou outro Júlio César, guerreiro invencível, honra brilhante do orbe

Douto na arte de governar, alcançou tempos seguros, alternando a sucessão da paz e das armas.

Quanto a religião de Cristo deve a este homem provam-no os reinos conquistados para o culto da fé.

Alimentado pela doçura da mesma fé, cumulou, além das honras do reino, riquezas para os pobres infelizes.

Que foi defensor da cruz e protegido pela Cruz, assinala-o a Cruz, formada de escudos, no seu próprio escudo.

Ó fama imortal, ainda que reserves para ti tempos longos, ninguém pode proclamar palavras dignas de seus méritos.



Bibliografia: Dom Afonso Henriques, Domingues, Mário - Ed. Prefácio, 2007; Mattoso, José - D. Afonso Henriques, Ed. Temas e Debates, 2007; Wikipédia, a enciclopédia livre.

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