Notes on Medieval History and Others
Mostrar mensagens com a etiqueta Afonso Henriques. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Afonso Henriques. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cronologia/Resumo - Reinado de Afonso Henriques

1107 Morre D. Raimundo


1109
Nasce D. Afonso Henriques (talvez em Viseu, 15 de Agosto).
Morre Afonso VI de Leão e Castela (29 de Junho).
D. Urraca casa com Afonso I de Aragão


1111
Afonso Raimundes é coroado rei da Galiza (Setembro), pelo bispo Gelmírez, para evitar que Afonso de Aragão tomasse posse da Galiza.
Os almorávidas conquistam Santarém e ameaçam Coimbra.
Henrique V é coroado Sacro Imperador Romano-Germânico.


1112
O conde D. Henrique morre em Astorga (22 de Maio).
S. Bernardo entra no mosteiro de Cister



1113

É aprovada a Ordem do Hospital, em Jerusalém.


1114
Sentença de separação entre D. Urraca e Afonso I de Aragão



1115
S. Bernardo funda o mosteiro de Claraval


1116
Os sarracenos cercam Coimbra (Julho). 
Revolta Galaico-Portuguesa de Pedro Froilaz de Trava e D. Teresa contra Urraca de Leão e Castela e Diego Guelmírez para garantir a autonomia dos condados da Galiza e Portucalense frente à rainha castelhano-leonesa.


1117
D. Teresa intitula-se rainha (Maio).
Novo cerco de Coimbra (Junho).




1118
Paio Mendes é sagrado Arcebispo de Braga, em Segóvia (primavera).
Maurício Burdino (Anterior Arcebispo de Braga) torna-se antipapa (reclama o título de Papa, em oposição a um Papa legitimamente eleito) Gregório VIII contra Gelásio II (Março).
Balduíno II torna-se rei de Jerusalém.


1119
Início do pontificado de Calisto II (2 de Fevereiro).




1120

Fundação dos Templários em Jerusalém.




1121
Fernão Peres de Trava encontra-se na corte de D. Teresa (Janeiro).



1122
Os Senhores de Ribadouro, da Maia, etc., abandonam a corte de D. Teresa (Novembro).
Pedro, o venerável é nomeado Abade de Cluny.



1123
Concordata de Worms (tratado entre o Papa Calisto II e o Sacro Imperador Henrique V) - posteriormente confirmada no Concílio de Latrão. 



1124
Afonso Raimundes é armado cavaleiro em Compostela (25 de Maio).
Luís VI de França vence o imperador Henrique V, aliado da Inglaterra.
Morte do Papa Calisto II (13 de Dezembro).




1125 
Afonso Henriques é armado cavaleiro em Zamora (17 de Maio)
Outros Fidalgos abandonam a corte. 
Morre o Imperador Henrique V
Nasce Mafalda de Sabóia e Maurienne 


1126
Morre D. Urraca (8 de Março), sucede-lhe Afonso VII



1127
Cerco de Guimarães por Afonso VII (Setembro ou Outubro). 
Primeiros actos de soberania de Afonso Hnriques
Afonso VII de Leão e Castela casa com D. Berengária (Novembro).



1128
Doação de Soure aos Templários (19 de Março).
Batalha de S. Mamede (24 de Junho).


1129
Aprovação dos Templários (13 de Janeiro).





1130
Fernão Peres Cativo nomeado alferes-mor (antes de Julho).
Morre D. Teresa (1 de Novembro).
Morte de Ibn Tumart fundador do movimento almóada. 
Inocêncio II eleito papa; Cisma de Anacleto (Fevereiro).



1131
Início da construção de Santa Cruz de Coimbra (28 de Junho).
Morte de Baldíno II, rei de Jerusalém. Sucede-lhe Foulque I. 




1132
Início da vida comunitária em Santa Cruz de Coimbra (24 de Fevereiro).





1134
Afonso Henriques constrói o castelo de Celmes, depois destruído por Afonso VII (primavera).
Morre Afonso I de Aragão (11 de Setembro).





1135

Morte de Ermígio Moniz (depois de Agosto)

Construção do Castelo de Leiria (10 de Dezembro)

Concílio de Pisa (30 de Maio) - Tentativa de acabar com o cisma do ocidente (entre Gregório XII e Bento XII). 





1136

Egas Moniz nomeado mordomo-mor (antes de Março) 
Fossado de Ladeia (verão)
João Peculiar eleito Bispo do Porto (10 de Junho)
Morte de Telo, fundador de S. Cruz (9 de Setembro)
Concílio de Burgos, na hispânia, presidido pelo cardeal Guido de Vico




1137

Peculiar sagrado Bispo do Porto.
Pacto de Tui (4 de Julho).
Morte de Luís VI, sucede-lhe Luís VII (casa com Leonor da Aquitânia).





1138

Morte do Arcebispo Paio Mendes, sucede-lhe João Peculiar





1139

Batalha de Ourique (25 de Julho).
Segundo concílio de Latrão (3 de Abril).





1140

Destruição do castelo de Leiria.
Ataque sarraceno marítimo ao Porto.
Morte de Diego Guelmírez (6 de Abril).




1141

Recontro de Valdevez (Fevereiro/Março).






1143

Cardeal Guido de Vico em Coimbra
Tratado de Zamora ( 4/5 de Outubro).
Miles Santi Petri (13 de Dezembro).
Revolta em Roma contra o Papa.
Morte de Inocêncio II, sucede-lhe Celestino III ( Setembro).
Morte do Emir Ali b. Yusuf, sucede-lhe Tashufin b Ali (Janeiro).




1144

Peculiar na curía Papal
Bula devotionem tuam (1 de Maio).
Ataque mouro a Soure e massacre dos templários (verão).
Reconstrução do castelo de Leiria.





1145

Morte do Emir Tashufin, sucede-lhe Ibrahim e a este Ishaq.
Apelo de Eugénio III à cruzada (1 de Dezembro).





1146

Casamento de Afonso Henriques com Mafalda de Sabóia (3 de Março).
Morte de Egas Moniz (3 de Agosto).
Fernão Peres Cativo nomeado mordomo-mor (depois de Agosto).
Nova bula de cruzada.
Início da pregação da II cruzada por São Bernardo em Vezelay (3 de Março).




1147

Nascimento do príncipe Henrique (5 de Março).
Conquista de Santarém e Lisboa (15 de Março e 25 de Outubro).
Morre o último emir almorávida.
S. Bernardo termina a pregação da cruzada. 






1148

Nasce a infanta Urraca
Viagem de Peculiar a Roma (verão).
Amadeu III, pai da rainha Mafalda morre em Chipre durante a II cruzada (Abril).
Concílio de Reims





1151

Nasce a Infanta Teresa
Peculiar na cúria Papal






1152

Fundação do Mosteiro de Alcobaça 
Morte do imperador Conrado III, sucede-lhe Frederico Barba Ruiva








1153

Nasce a Infanta Mafalda
Peculiar na cúria Papal
Morte de S.Bernardo







1154

Reunião do cardeal Jacinto em Braga com os bispos e o rei (antes de Novembro).
Nasce D.Sancho I (11 de Novembro).
Morte de Estevão, rei de Inglaterra sucede-lhe Henrique II.







1155

Morte de Fernão Peres Cativo
Morte do príncipe Henrique (Junho).
Ataque almóada a Trancoso.







1156

Nasce o Infante João.





1157

A. Henriques ataca Alcácer do sal com a ajuda de Teodorico da Alsácia (Julho).
Nasce a Infanta Sancha (24 de Novembro).
Morre a rainha Mafalda (3 de Dezembro).
Morre Afonso VII (21 de Agosto), sucedem-lhe Fernando II de Leão e Sancho III de Castela. 
Peculiar na cúria papal.








1158

Incursões de A. Henriques na Galiza (Setembro).
Acordo de tréguas com Afonso II (14 de Novembro).
Fundação da Ordem de Calatrava na Hispânia.
Tratado de Sahagún entre Fernando II de Leão e Sancho III de Castela (23 de Maio).
Morte de Sancho III (31 de Agosto).


1159

A. Henriques ocupa Tui.
Morte de Adriano IV, sucede-lhe Alexandre III.
Cisma de Victor IV.






1160

Contrato de casamento da Infanta Mafalda com Afonso II de Aragão (30 de Janeiro).
Conquista de Alcácer do Sal (24 de Junho).
A. Henriques promete a Fernando II abandonar Tui (Dezembro).






1162

Morte de S.Teotónio (18 de Fevereiro).
Conquista de Beja pelos cavaleiros-vilãos de Santarém (30 de Novembro).
Ruptura do contrato de casamento da Infanta Mafalda. 






1163

Canonização de S. Teotónio (18 de Fevereiro).
Morte do Infante João.
Fernando II vence A.Henriques em Argañara (verão).






1164

Morte de Victor IV, continua o cisma.







1165

Campanha de A. Henriques na Galiza (primavera).
Casamento de Urraca Afonso com Fernando II (Junho).
Conquista de Évora (Setembro).
Geraldo conquista Trujillo (15 de Abril), Évora (Setembro) e Cáceres (Dezembro).
Ocupação de Roma por Frederico Barba Ruiva. 







1166

Conquista de Moura, Serpa e Juromenha.
Geraldo conquista Montánchez e Serpa (Março).







1168

Pacto de Fernando II com os almóadas (Setembro).
Formação da Liga Lombarda. 






1169

Desastre de Badajoz (Maio-Junho).
A.Henriques prisioneiro de Fernando II (Julho-Agosto).
Convalescença em Lafões (Setembro-Novembro).
Novo chanceler Pedro Feijão (depois de Setembro).
Cúria Régia (13 de Novembro).









1170

Sancho I armado cavaleiro em Coimbra (15 de Agosto).
Tentativa de recuperar Badajoz (Novembro).
Criação da Ordem de Santiago (1 de Agosto).
Acordo do Papa Alexandre III com a Liga Lombarda.








1172

Geraldo conquista Beja (Agosto).
Legação do Cardeal Jacinto.









1173

Geraldo arrasa Beja (Janeiro).
Relíquias de S.Vicente chegam a Lisboa (15 de Setembro).
Tréguas entre Afonso Henriques e os Almóadas (Outubro).








1174

Sancho I casa com Dulce de Aragão.







1175

Nasce a Infanta Teresa Sanches
Criação da Ordem de Évora (depois de Março).
Morte de João Peculiar em Braga (3 de Dezembro).
Anulação do casamento de Fernando II com Urraca Afonso. 







1178

Fossado de Sancho I contra Triana (verão).






1179

Testamento de A. Henriques (Fevereiro).
Ataque almóada ao castelo de Abrantes. 
Sancho I ataca Ciudad Rodrigo, derrotado na batalha de Arganal (Agosto).
IV Concílio de Latrão (5-19 de Março).
Bula Manifestis Probatum Est 








1180
Ataque marítimo Almóada a Porto de mós ou cabo Espichel (Junho-Julho).
Fuas Roupinho e frota portuguesa derrotados em frente de Silves. 
Morte de Luís VII, sucede-lhe Filipe Augusto.







1181
Novo chanceler mestre Julião (depois de Abril).
Cerco de Évora pelos almóadas e destruição do castelo de Coruche (Maio-Junho).
Morte de Alexandre III, sucede-lhe Lúcio III.







1184

Cerco de Santarém pelos Almóadas (Junho-Julho).
Casamento de D. Teresa com Filipe da Alsácia (Agosto).








1185

Afonso Henriques morre em Coimbra (6 de Dezembro).
Urbano II eleito Papa (25 de Novembro).

domingo, 16 de janeiro de 2011

Mafalda de Saboia - A Primeira Rainha de Portugal


  • Mafalda, era filha de Amadeu III, conde da Saboia, Piemonte e Maurienne (englobava os actuais Saboia na França e Piemonte, na Itália) e da condessa Matilde (ou Mahaut) d'Albon e nasceu por volta do ano de 1125.
  • Existe uma querela doutrinária quanto ao facto de o primeiro rei de Portugal ter desposado uma donzela vinda de tão longínquo reino, mas quer tenha sido por imposição, sugestão ou por decisão, considera-se que a principal razão para tal casamento foi o desejo de independência política e de distanciamento em relação ao seu primo, Afonso VII de Espanha.
  • Na época considerou-se, erradamente, que Afonso Henriques casou com alguém de condição inferior, por Mafalda ser apenas filha de Condes, mas ela era também sobrinha do Rei Luís VI de França, um dos mais importantes e poderosos reis do ocidente Cristão. Para além de que seu pai era um importante apoiante das Cruzadas.
  • O contrato de casamento foi celebrado quando ela tinha 12 anos e Afonso Henriques 30. Mas o casamento só foi celebrado 9 anos mais tarde, tendo ela 21 e ele 36.
  • Dúvida-se se o seu nome seria Mafalda ou Matilde. Alguns consideram que se chamava Mahaut (Matilde) como a mãe e que depois ao chegar a Portugal mudou de nome para Mafalda. Nos diplomas públicos o nome da soberana figura como Mahada, que seria tradução de Mahaut, o nome com que nasceu.
  • Deparou-se com um homem 18 anos mais velho, já com dois filhos de outra mulher (Châmoa Gomes, que era descendente dos Trava, viúva com três filhos e freira) que pelo que se dizia, ele amava há quase 10 anos, mas com quem não pôde casar, pois pela independência do reino, Afonso Henriques devia assumir-se como um monarca Católico e bem comportado aos olhos da Santa Sé. 
  • Em doze anos de casamento, Mafalda deu à luz, pelo menos sete filhos :
  1. Henrique (1147)
  2. Urraca (1148)
  3. Teresa (1151)
  4. Mafalda (1153)
  5. Martinho (1157) depois chamado Sancho com a morte do irmão mais velho aos 8 anos.
  6. João (1156)
  7. Sancha (1157).
  • Criou junto com os seus os filhos ilegítimos do rei. Morreu dez dias após o nascimento da última filha, que quase não chegou a ver. Dos sete filhos, à idade adulta chegaram apenas três: Sancho, Teresa e Urraca.
  • Pouco se sabe sobre a personalidade da rainha. Há documentos, escritos por religiosos da época, em que se conta que estando a soberana num dos seus complicados partos, entre a vida e a morte, mandou chamar o padre Teotónio, prior do mosteiro de Santa Cruz, acreditando que com a sua bênção tudo se resolveria. Facto é que assim aconteceu e logo que se restabeleceu a rainha quis ir ao mosteiro agradecer a intervenção divina, o que lhe foi vedado, pois o prior fugia das mulheres como se fossem inimigas e invocou ser aquele um lugar de reclusão de homens. Mafalda ao que consta ficou furiosa e tentou impor o seu estatuto de rainha, mas não conseguiu entrar, pois D. Teotónio recusou-se a infringir a regra do mosteiro.
  • Alguns dizem então que ela teria mau feitio e que seria causado pela infelicidade do seu casamento e pela morte do primeiro filho.
  • Outros consideram que tal não faz sentido pois tendo em conta as mentalidades da época, a maioria dos autores religiosos faziam referencias muito pouco lisonjeiras a mulheres que de algum modo ousavam enfrentar o poder, a mulher era considerada  a principal fonte de pecado para os homens, especialmente religiosos.
  • O conceito de relacionamento no século XII  também não era o mesmo que nos dias de hoje, os casamentos eram uniões decididas entre as casas reais com o objectivo de reforçar ou criar alianças político-militares, o amor era algo à parte e seria apenas fruto de convivência entre duas pessoas que eram obrigadas a viver juntas. Por isso a maioria das esposas sabia da existência das amantes dos maridos, assim como dos seus pais. Criavam os bastardos reais, assim como antes tinham sido criadas com os irmãos bastardos.
  • Havia uma vulgarização da mancebia. Não seria agradável, mas seria mais tolerado do que hoje em dia.
  • Alguns autores consideram que a infelicidade de Mafalda também poderia estar ligada ao temperamento violento de D. Afonso Henriques, que chegou mesmo a ser caracterizado como "frio e seco". Existe até uma lenda segundo a qual ele teria morto a mulher grávida ao pontapé, por ciúmes. Não é considerada de todo verdade, mas revela a fama de homem duro que D.Afonso Henriques tinha.
  • São atribuídas a D.Mafalda, educada sob influência da Ordem de Cister, muitas fundações de piedade e penitência, como o Mosteiro da Costa, em Guimarães e o hospital/albergaria de Marco de Canavezes.
  • "Diz-se que o nome “Marco de Canaveses” virá de um dia, quando a Rainha D. Mafalda, acabara de passar pelas obras da ponte que mandara construir para a travessia do rio Tâmega, e cheia de sede, pediu água aos pedreiros. Como o acesso ao rio era muito difícil, um deles ofereceu uma cana para que a rainha bebesse directamente do rio. A rainha ao devolve-la terá dito “Guardai-a porque a cana às vezes é boa”.
  • Assegurou a comunicação entre diversos povoados, nomeadamente uma ponte sobre o rio Tâmega e outra sobre o rio Douro, em Mesão Frio.
  • Proporcionou ainda a travessia desse rio através de dois barcos que mandou para Moledo e Porto de Rei.
  • Faleceu a 3 de Dezembro de 1157 ou 1158, com apenas 32 ou 33 anos, em Coimbra, sendo sepultada na igreja do mosteiro de Santa Cruz junto do marido, que ainda viveu mais 27 anos.
  • Só no século XVII voltará a acontecer uma união entre as casas de Portugal e da Saboia, quando Maria Francisca Isabel se casar com Afonso VI.


Bibliografia: Mattoso, José - D. Afonso Henriques, Temas e Debates; Oliveira, Ana Rodrigues de - Rainhas Medievais de Portugal; esfera dos livros, 2010; Natário, Anabela - Portuguesas com História, Temas e Debates, 2008; A Lenda de Marco de Canavezes in Blog "Marcoense como Nós" http://marcoensecomonos.blogspot.com/2010/05/lenda-de-marco-de-canaveses.html.

domingo, 9 de janeiro de 2011

D. Afonso Henriques "O Conquistador" - 1143 – 1185



  • Provavelmente em  1109, nasce Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha e da infanta Teresa de Leão.
  • A sua mãe era filha ilegítima do Rei Afonso VI de Leão e Castela, a quem Afonso VI doara o Condado de Portucale pelo casamento. Há quem defenda também que era filho de Egas Moniz.
  • Almeida Fernandes, autor da hipótese que indica Viseu como local de nascimento de D. Afonso Henriques refere a probabilidade de ter nascido em Agosto, enquanto outros autores, baseando-se em documentos que remontam ao século XIII referem a data de 25 de Julho do mesmo ano.
  • Já foram defendidas outras datas e locais para o nascimento do primeiro rei de Portugal, como o ano de 1106 ou de 1111 (hipótese avançada por Alexandre Herculano após a sua leitura da "Crónica dos Godos").
  • Tradicionalmente, acredita-se que terá nascido e sido criado em Guimarães, onde viveu até 1128.
  • Mas há ainda quem defenda Coimbra como local provável  para o nascimento do primeiro Rei de Portugal.
  • Tradicionalmente teria sido criado por Egas Moniz de Ribadouro, “o Aio”, mas há dúvidas sobre se teria sido antes Ermígio Moniz, o irmão. Considera-se que teria sido alguém da família de Ribadouro.
  • Henrique de Borgonha, o pai, era um aventureiro, ousado e ambicioso, de alta descendência, verdadeiro chefe do grupo de cavaleiros, monges e clérigos de origem francesa que desempenhou papel importante na remodelação da política e da igreja do ocidente peninsular (séc. IX) – Trouxeram costumes monásticos cluniacenses, preencheram lugares eclesiásticos e políticos. Henrique morreu quando o filho tinha apenas dois anos. 
  • D. Teresa: Não era um modelo de virtudes cristãs, mas também não era uma mulher de costumes depravados (embora tivesse coabitado sucessivamente com os dois irmãos Trava, o que para a época era um escândalo). Personalidade ambiciosa, fortemente convencida do seu direito a herdar um dos Estados governados pelo seu pai (Galiza). Nunca reconheceu a irmã como rainha e herdeira do pai. Intitulava-se rainha. Conviveu pouco com o filho. Em 1112 fica viúva.  Aproximadamente em 1116, D. Teresa aproxima-se dos Travas, que a encorajam a reivindicar o senhorio da Galiza – Por esta altura envolve-se com Bermudo Peres de Trava, filho de Pedro Froilaz. Em 1121 Fernão Peres já estava na sua corte. Não se sabe se chegou mesmo a casar com ele.
  • A Infância e a Adolescência - Clima de intensas lutas, intrigas e contradições.
  • Pressão para que tomasse partido entre as posições assumidas pelos senhores e familiares que viviam à sua volta. 
  •   Em 1122 o panorama político alterou-se, tinha o infante 13 anos.
  •  Deixam de figura como confirmantes dos diplomas da “rainha”, os nobres Soeiro Mendes de Sousa, Ermígio, Egas e Mendo Moniz de Ribadouro, Paio Soares da Maia e Sancho Nunes de Barbosa – Oposição à autoridade confiada ao Conde de Trava pela rainha.
  • Eram os mais respeitados nobres de Entre Douro e Minho.
  • O mais verosímil é que os senhores portucalenses se tenham revoltado porque Fernão Peres os excluíra de qualquer papel de chefia no combate ao Islão (da glória inerente à participação na guerra santa e das vantagens materiais e simbólicas).
  •  1125 – Nova vaga de deserções na corte – A revolta estendia-se a todo o Entre Douro e Minho (a sul atingia a Terra de Santa Maria).
  • A revolta dos barões portucalenses não foi, de início comandada por D. Afonso Henriques, pois em 1122 este era demasiado jovem.
  • Para além disso, viveu com o seu aio até aos 11 ou 12 anos, mas em 1120 deixou de estar na sua dependência – A partir daí passou a subscrever os documentos de D. Teresa (até 1127). Confirma-os em posição superior à do Conde de Trava, mas juntamente com ele.
  •   Até 1127 (tinha 18 anos), não há indícios de conflitos entre ele e a rainha.
  • Em 1125, Afonso Henriques ter-se-á investido como cavaleiro, na Sé de Zamora, no dia Santo de Pentecostes, teria 16 anos.
  • Zamora pertencia ao senhorio de D. Teresa, pelo que a cerimónia ter-se-á realizado com o seu consentimento – Para assegurar os direitos de D. Afonso à sucessão.
  • 8 de Março de 1126 – Morre D. Urraca e sucede-lhe Afonso Raimundes (Afonso VII). 
  •  Setembro e Outubro de 1127 – Percorria o norte de Portugal para exigir pela força o reconhecimento da sua autoridade por parte dos senhores galegos e portugueses - O Cerco de Guimarães.
  •   É difícil saber quem tomou a iniciativa do acordo entre Afonso e a nobreza.
  • As circunstâncias em que se deu o cerco e a participação nele de nobres revoltosos terão facilitado o acordo.
  •  Devem ter pensado que se tornaria fácil convencer aquele jovem de 18 anos a defender os seus interesses, se lhe entregassem o poder.
  • O infante começou, pouco depois do cerco de Guimarães, a exercer actos de soberania – Apropriou-se portanto do condado, contra a vontade da mãe.
  • Depois do cerco de Guimarães, Afonso tomou do padrasto o Castelo de Santa Maria da Feira.
  • S. Mamede - As conversações não resolveram o conflito, o confronto armado era inevitável.
  •   24 de Junho de 1128 – Festa litúrgica de S. João Baptista.
  • Batalha campal perto do Castelo de D. Afonso, em Guimarães, entre as suas tropas e as da sua mãe.
  • Afonso Henriques apoderou-se da herança de D. Teresa pela força, mas ao contrário do que diz a tradição do povo, D. Teresa e o Conde, pouco tempo depois, estavam livres na Galiza, com as duas filhas Sancha e Teresa Fernandes, ainda pequenas.
  • D. Teresa morreu em 1130 (no 2.º ano do “reinado” do Infante).
  • Fernão Peres de Trava ofereceu uma herdade à Sé de Coimbra pela alma da esposa.
  • A reconciliação do Senhor de Trava com D. Afonso Henriques foi anterior à morte de D. Teresa (confirmou doações do infante). 
  • O fundador da nacionalidade devia o seu poder aos nobres – O auxílio prestado pelos Barões Portucalenses obrigava-o a ser generoso para com eles.
  •   Situação de dependência nos primeiros tempos do seu governo.
  •  Os primeiros diplomas emitidos pelo príncipe favorecem a igreja (pobres eremitas e mosteiro).
  • Quis captar a benevolência das duas categorias extremas da hierarquia eclesiástica: A máxima autoridade religiosa do condado e os religiosos mais pobres.
  • O Arcebispo de Braga, Paio Mendes, representava a outra força essencial que colaborou para que Fernão Peres de Trava fosse vencido.
  • Era contra as pretensões do Arcebispo de Compostela (Guelmírez). Reivindicava para si o exercício da autoridade canónica sobre as dioceses portuguesas. Queria independência do seu rival de Compostela. 
  • João Peculiar sucedeu a Paio Mendes, em 1139, no cargo de chanceler e defendeu mais a independência política do rei, do que a sua submissão ao partido feudal.
  • Afonso vai progressivamente libertando-se dos compromissos com a nobreza. 
  • Tudo começa quando o infante se estabelece em Coimbra e acentua-se com a conquista de Lisboa – Protecção das comunidades vilãs e das ordens militares.
  • Evolução de uma situação tipicamente feudal para um efectivo exercício do poder político, por intermédio das suas funções guerreiras.
  • Sobretudo na frente muçulmana, onde conta com a importante colaboração dos cavaleiros – vilãos e das ordens militares.
  • O rei vai-se libertando da tutela dos ricos – homens nortenhos para se apoiar numa nobreza mais fiel e dependente sem tradições muito antigas, e que lhe deve a sua promoção (ex. família Soverosa, oriunda talvez de um bastardo galego que ascende de alferes a mordomo-mor). 
  •  O rei devia possuir qualidades políticas excepcionais – Coerência de opções durante todo o reinado – Rigorosa continuidade das suas orientações.
  • Mas terá sido também influenciado pessoalmente por João Peculiar, um dos fundadores de Santa Cruz de Coimbra, depois bispo do Porto e Arcebispo de Braga.
  •  1129 – Afonso confirma doação de D. Teresa à Ordem militar do templo.
  • As divergências de S. Mamede passavam para segundo plano quando estava em causa um ideal que envolvia toda a cristandade – Concretizado nas cruzadas.
  • Ampla corrente religiosa, cultural, social e económica orientada para Jerusalém (o centro do mundo, na mente dos europeus)
  • A mudança de residência de Afonso Henriques de Guimarães para Coimbra constituí um facto da maior importância histórica – A decisão mais transcendente para a sobrevivência de Portugal como nação sobrevivente, em cinco aspectos:
1.    A nobreza senhorial
2.    Os cavaleiros – vilãos
3.    As estruturas urbanas
4.    A guerra externa
5.    A cultura moçárabe

  • O Mosteiro de Santa Cruz - 1131 (lançamento da primeira pedra a 28 de Junho) – Fundação de uma comunidade de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, pelo arcediago da sé da mesma cidade, o presbítero Telo, associado a João Peculiar.
  • Afonso ofereceu-lhes uma importante propriedade urbana junto dos muros da cidade, onde estavam situados os banhos muçulmanos. 
  • Afonso Henriques apresentava-se como neto do imperador Afonso VI e como tal achava-se no direito de herdar alguns dos Estados de seu avô. 
  •  Conflitos armados nas fronteiras galega e leonesa – Afonso pretendia não só alargar o seu território, mas também mostrar que tinha direito de aceitar vassalos, mesmo em território galego e que não necessitava do acordo do primo. 
  • Afonso Henriques aproveitou a rebelião de Garcia de Navarra para ocupar pela força os condados de Toroño e de Límia, nomeadamente Tui.
  • Aí foi assinado um pacto com o primo (1137).
  • Considera-se que Afonso teve de deixar a sua posição favorável nessas terras para ir defender o castelo de Leiria, cujo ataque mouro era uma ameaça à cidade de Coimbra. 
  • A Batalha de Ourique - Em 1139, Afonso terá organizado um grande fossado, em pleno gharb – A incursão em território inimigo terá sido interceptada em Ourique pelo rei Esmar, que foi vencido e teve de abandonar o campo.
  •  Ourique seria em princípio uma extensão de território despovoado que abrangia quase todo o Baixo Alentejo. 
  • As incursões militares profundas e prolongadas eram frequentes – O fossado português deve ter penetrado até à Andaluzia e trouxera muitos despojos e cativos, até que foi interceptado pelo inimigo mas conseguiu vencê-lo.
  • A tradição diz que antes do combate, Afonso foi aclamado rei pelas suas tropas, alçado num escudo.
  • Podia haver uma coincidência aproximada entre a data da batalha e o novo título atribuído pelos notários régios ao infante de Portugal. 
  • Afonso deve o sucesso do seu reinado, não apenas ao seu talento militar, mas também à
    colaboração de auxiliares dedicados e inteligentes:
    ü  S. Teotónio
    ü  D. João Peculiar
    ü  Ermígio e Egas Moniz
    ü  Fernão Peres Cativo



  • Recontro de Valdevez (1141) - Afonso VII, depois de vencer o rei Garcia de Navarra, confiou aos condes de Castela a defesa da frente oriental e dirigiu-se com um grande exército à fronteira portuguesa (c/ a Galiza), onde começou a devastar a terra.

  • Tudo porque Afonso Henriques queria ter como vassalos senhores de territórios que pertenciam à Galiza. 
  • Afonso Henriques reuniu também as suas tropas e atacou um grupo de leoneses, capturando o conde Ramiro.
  • Existe ainda outra versão que diz que antes de se dar a batalha houve um «bafordo» (torneio a cavalo), proposto pelos portugueses para evitar a batalha.
  • D. João Peculiar serviu de mediador entre os dois primos.
  • De qualquer modo, Afonso VII, teria aceite a proposta de paz para evitar uma mortandade inútil. 
  • O recontro terminou com um pacto de tréguas – Remetendo para mais tarde as questões que os opunham.
  • Não voltaram a registar-se confrontações na fronteira galega até à morte de Afonso VII.
  • Ataques Mouros em 1140 - Destruição do castelo de Leiria.
  • A partir de 1143, no mundo árabe, os almóadas começavam a destituir os almorávidas. 
  • Às tendências institucionais e aristocráticas dos seus adversários, os Almóadas opunham uma vivência carismática, popular, contestatária e fundamentalista.
  • Os almoádas estavam descontentes com o insucesso dos almorávidas em revigorar os estados muçulmanos na Península Ibérica, bem como em suster a reconquista cristã.

  • Miles Sancti Petri
  • No verão de 1143, chegou ao reino de Leão o cardeal legado da Sé Apostólica, Guido de Vico.
  •  A 5 de Outubro de 1143, foi assinado o Tratado de Zamora, diploma resultante da conferência de paz entre Afonso Henriques e Afonso VII, na presença do cardeal Guido de Vico.
  • Considerada a data do início do reinado de Afonso Henriques.
  • Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser Reino, tendo D. Afonso Henriques como seu "rex" (rei).
  • Embora reconhecesse a independência, D. Afonso Henriques continuava a ser seu vassalo, pois D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela, considerava-se imperador de toda a Hispânia.
  • Contudo nunca D. Afonso Henriques lhe prestou vassalagem, sendo caso único de entre todos os reis existentes na península Ibérica.
  • Comprometeu-se então o monarca português, ante o cardeal, a considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.
  • A 13 de Dezembro de 1143, Afonso dirigiu uma carta ao Papa declarando que  tinha feito homenagem à Sé Apostólica nas mãos do cardeal Guido como cavaleiro de S. Pedro (miles sancti petri).
  • E que se obrigava a pagar à Santa Sé o censo anual de quatro onças de ouro (o que respondia aos apelos da mesma), sob a condição de o Papa defender a sua honra e a dignidade da sua «terra».
  •  No mesmo documento afirmava que não reconhecia a autoridade de nenhum outro poder eclesiástico ou secular, a não ser o do Papa – Carta de vassalagem do rei à Santa Sé (Claves Regni Celorum – primeiras palavras do documento).  
  • Aceitação da homenagem ao Papa em vez da que, até ali o vinculava ao rei de Leão.
  • Não se conhece nenhuma reacção de Afonso VII até 1148 – Protestou junto do Papa por causa de a cúria romana ter aceitado favores que o prejudicavam. 
  • D. João Peculiar empreendeu em 1144 nova viagem a Roma, para o Papa definir a sua isenção da autoridade episcopal e incluir o mosteiro de Grijó no património da Sé Apostólica. Quis levar pessoalmente a carta de vassalagem do rei.
  • A aceitação da homenagem do rei, pelo Papa Lúcio II, na Bula Devotionem Tuam, de 1 de Maio de 1144, foi um fracasso, pois o papa deu a Afonso Henriques apenas o título de dux, o que deve ter sido humilhante para o rei.
  • Para a cúria romana, não estava provada a sua verdadeira independência.
  • Ainda só tinham como prova a batalha de Ourique, Lisboa ainda não tinha sido conquistada.
  • Aos 37 anos, Afonso continuava solteiro. 

  • Conquista de Santarém: Madrugada de 15 de Março de 1147 (conquista numa só madrugada!).
  • Ataque Surpresa - Poderá no entanto ter havido ajuda de alguém de dentro, uma vez que em Santarém existiam muitos moçárabes.
  • Afonso deve ter permanecido em Santarém para consolidar a sua posição durante dois ou três meses, e para bater os arredores. 
  • Conquista de Lisboa -  25 de Outubro de 1147 - Depois de um cerco de quase 4 meses e com a ajuda dos cruzados que iam para a Terra Santa - Alemães, Flamengos e Bolonheses, Ingleses e Normandos.

  • A Reorganização do Reino
  •    O repentino alargamento da fronteira, em 1147, não podia deixar de intensificar o fluxo migratório para sul.
  • A canalização dos excedentes populacionais do norte para a Estremadura e mesmo para as terras menos acolhedoras a leste do Zêzere equilibrou a relação entre a população e os recursos naturais.
  • O alargamento do território submetido ao primeiro rei de Portugal, incorporando nele duas importantes cidades, dotadas de grandes potencialidades económicas consolidou o seu poder político.
  • Garantiu a sua sobrevivência definitiva, enquanto nação, que até aqui estava em risco pelo crescente poder do rei de Leão e Castela e pelo rei de Aragão.
  •  Depois da conquista de Lisboa, Afonso aproveitou o abandono das fortificações que protegiam a cidade para as ocupar rapidamente.
  • Apoderou-se sem dificuldade de Sintra a norte e de Palmela e Almada a sul.
  •  Afonso VII morre em Agosto de 1157.  Em 1155, dois anos antes de morrer, Afonso VII decidiu dividir o reino pelos dois filhos, deixando Castela ao mais velho, Sancho III e Leão ao mais novo Fernando II. 
  • No fim de Agosto de 1158, morre inesperadamente Sancho III de Castela.
  •  Como se procedesse a uma manobra de antecipação contra uma eventual reunificação de Leão e Castela e consequente reforço do poder leonês, Afonso Henriques entra, no mês de Setembro no condado de Toroño à frente do seu exército.
  •   Parece ter havido muitos combates até meados de Novembro.
  • Em 1158 (Setembro), assinou com Fernando II um acordo de tréguas.
  • O rei de Leão precisava de espaço de manobra para resolver o problema da sucessão de Castela. Existia um herdeiro, Afonso VIII, de apenas 3 anos. 
  • Entregaram a tutoria do menino a Guterre Fernandes de Castro e a regência do reino a D. Manrique de Lara.
  •  Durante o ano de 1159 sucederam-se combates entre Leoneses e Castelhanos.
  •  Afonso Henriques continuou a dominar o território de Tui.
  •  Em 1160 (Janeiro), negociou com o conde de Barcelona, Raimundo Berenguer IV, casado com Petronilha, herdeira do reino de Aragão, o casamento da infanta Mafalda (6 ou 7 anos) com o futuro Afonso II de Aragão (3 ou 4 anos).
  • Este contrato considera-se como o indício do começo do período dos «cinco reinos»: Portugal, Leão, Castela, Navarra e Aragão.
  • Durante o qual não se verificou a supremacia de nenhum deles e que todos mantêm uma relativa consistência interna.
  • Os conflitos são compensados por alianças pontuais ou recorrentes, o que permite prolongar o equilíbrio, apesar de instável.
  •  A negociação do casamento da infanta Mafalda significava a aceitação de Afonso Henriques como um parceiro de pleno direito no mercado matrimonial das cortes ibéricas.
  • Tanto Portugal, como Aragão, tiveram várias vezes de unir forças para resistir ao expansionismo castelhano ou castelhano – leonês.
  • No fim do ano de 1160, o rei de Leão tinha recuperado forças e impôs a Afonso Henriques o acordo no qual este se comprometia a devolver-lhe Tui.
  • Mas durante 1162, Afonso exercia actos de soberania sobre Límia e no ano seguinte conseguia recuperar Toroño.
  •  No verão de 1162, faleceu Ramon Berenguer IV e Fernando II de Leão, convenceu a rainha Petronilha de Aragão a anular o compromisso com Afonso Henriques e a casar antes o seu filho, futuro Afonso II de Aragão, com D. Sancha, filha do segundo casamento de Afonso VII (portanto irmã de Fernando II), que teria 7 anos.
  • Com a revolta dos cavaleiros de Salamanca, Afonso Henriques veio até à cidade, onde nos primeiros meses de 1163 exerceu actos de soberania.
  •    Em Castela continuavam as lutas entre Laras e Castros.
  •  1165 – A presença de Afonso Henriques na Galiza tornou-se mais agressiva – Instala-se no castelo de Cedofeita e dirige ataques contra Pontevedra, Ribadavia e Orense.
  •  Em Maio desse ano, faz novo acordo com Fernando II em Pontevedra, combinando o casamento deste com a sua filha Urraca, de 17 anos.
  • Mas havia um impedimento canónico, pois Urraca e Fernando II tinham o mesmo bisavô, Afonso VI (o casamento viria a ser anulado em 1175).
  • Do casamento nasceu o futuro rei Afonso IX de Leão, em Agosto de 1171, primeiro neto de Afonso Henriques. 
  • Afonso Henriques deve ter mantido domínio sobre os dois condados galegos de Límia e Toroño até 1169.
  •  A guerra era uma forma de pressão para conseguir acordos vantajosos, como o casamento de Urraca, que confirmava a posição do rei de Portugal ao nível dos restantes soberanos peninsulares. 
  • A conquista de Alcácer do Sal abriu o caminho a novas incursões a sul do Tejo.
  •  Tornaram-se habituais os bandos de arqueiros atraídos pelo saque, que actuavam na fronteira por conta própria, sem coordenação com as tropas recrutadas pelos reis de cada país.
  • Podiam negociar a sua colaboração com os cristãos ou com os almóadas.
  • Havia ainda os mercenários, contratados pelos reis para combater integrados em exércitos regulares ou recrutados por senhores de taifas.
  •   É surpreendente verificar que a conquista de Beja (1 de Dezembro de 1162) se deu antes de Évora, pois situava-se numa posição recuada em relação com a fronteira. 

  • Geraldo Sem – Pavor - Usava a técnica de atacar de noite, durante o inverno, e não na primavera ou verão como era costume.
  •  Conseguia penetrar nas fortalezas por meio de escadas encostadas às muralhas.
  •   Évora foi tomada por ele pelos «ladrões seus companheiros».
  • Geraldo actuava por conta própria, e embora tivesse durante anos colaborado com Afonso Henriques, com quem negociou a posse de Évora depois de a ter conquistado (1165) e a quem se associou para tentar apoderar-se de Badajoz, viria a pôr-se ao serviço do Emir de Marrocos.
  • 1166 – Serpa e Juromenha – Instalou-se então neste castelo, servindo de base para atacar Badajoz.
  • Eliminadas as fortificações exteriores de defesa, Badajoz ficava isolada.
  •  Era uma cidade populosa e rica, a mais importante da fronteira ocidental e comandava as operações militares contra os reinos de Leão e Portugal.
  • Afonso Henriques tinha, até 1165 permanecido em contacto frequente com a Galiza.
  •  Em Maio ou em Junho assistiu ao casamento da filha Urraca, pouco tempo depois deve ter ido a Évora negociar a entrega da cidade.
  •  Évora era um dos centros islâmicos mais importantes do Gharb. Para reforçar a sua defesa, Afonso reedificou o castelo de Coruche.
  • Situado numa posição estratégica fundamental como elo de ligação e de controlo da via que assegurava a comunicação de Évora a Santarém.
  •    Estava demasiado exposta aos ataques almóadas devido à sua proximidade da fronteira.
  • Pela mesma altura ou pouco depois Afonso conquistou os castelos de Moura, Serpa (pode ter sido vendido ao rei por Geraldo) e Alconchel (últimas defesas de Badajoz).
  • Badajoz daria a Portugal a plena posse da antiga província romana da Lusitânia.
  • No entanto passaram mais de dois anos até que Afonso e Geraldo tentassem conquistar tal cidade. 
  • Permitiu reparar as muralhas de Évora e reunir as forças necessárias para um cerco demorado (já não podiam contar com as vantagens de um ataque surpresa).
  • A sacralização do poder político: O combate pela defesa do reino dava direito aos mesmos privilégios espirituais que a luta pela fé.
  •  Durante estes ataques de Geraldo e Afonso, Fernando II estava demasiado ocupado a tentar reunificar os reinos de Leão e Castela depois da morte do irmão, lutando contra os nobres de Castela que tinham a tutela do sobrinho.
  • Afonso Henriques deve ter considerado que era a ocasião propícia para tomar Badajoz.
  •  3 de Maio de 1169 – Geraldo conseguiu romper as muralhas exteriores da cidade.
  • A guarnição militar muçulmana refugiou-se na alcáçova (zona em cota mais elevada e mais protegida dentro de um castelo, com funções de defesa, onde residiam as autoridades civis ou eclesiásticas da povoação).
  • Perante a sua resistência, Afonso, que não devia estar longe, marchou à frente das suas tropas para ajudar os sitiantes.
  • O califa de Marrocos reuniu um grande exército para socorrer a cidade.
  •   Quando as tropas de socorro chegaram a Sevilha souberam que o Rei Fernando II também tinha marchado em direcção a Badajoz.
  • Aliou-se aos Almóadas para impedir os Portugueses de se apoderarem da cidade.
  • O rei de Leão acampou junto da cidade, mandou um mensageiro ao governador almóada (na alcáçova) para o encorajar a resistir.
  •  Os muçulmanos fizeram uma investida inesperada na zona da Medina, conseguiram chegar às portas exteriores e abriram-nas, permitindo a entrada dos seus aliados.
  • Geraldo e Afonso Henriques tiveram de se retirar precipitadamente.
  • Quando Afonso tentava fugir a cavalo chocou contra o ferrolho de uma das portas da muralha exterior e partiu a perna direita. Transportado pelos seus companheiros de armas conseguiu chegar até Caia, mas foi capturado pelos Leoneses que o levaram até Fernando II.
  • O rei de Leão, seu genro, prendeu-o durante dois meses.
  • Por fim deu-lhe a liberdade mediante a cedência da maioria dos castelos que ele e Geraldo tinham conquistado a leste do Guadiana.
  • Mais a promessa de cessar os ataques a Badajoz e o abandono de todas as terras da Galiza de que se apoderara.
  • Uma vez libertado, Afonso foi para Coimbra e dali para as termas de S. Pedro do Sul (Lafões) onde permaneceu convalescente durante alguns meses.
  •  Geraldo também foi preso, mas obteve a liberdade mediante a entrega a Fernão Rodrigues de Castro (governador de Toledo nomeado por Fernando II) das praças em poder dos seus homens: Montánchez, Trujillo, Santa Cruz e Monfrague.
  • Fernando II ficava com Albuquerque e Cáceres. 
  • A predominância da ofensiva Portuguesa, tal como a Leonesa e a Castelhana tinha chegado ao fim.
  •  Já não se tratava de ocupar novos territórios, mas de não perder os adquiridos.
  • Assegurar a defesa: O repovoamento de territórios conquistados. O auxílio de Gualdim Pais, mestre templário (1125?-1195).
  •  D. Afonso Henriques deixou de poder andar a cavalo.
  • O que lhe deve ter trazido graves limitações às suas responsabilidades governativas.
  • As viagens do rei não eram apenas necessárias para a guerra – A deslocação constante da corte e a presença física do rei em todo o território eram indispensáveis à governação.
  • Era por isso humilhante para o rei estar em tal condição.
  • Acabara de fazer 60 anos – Sendo a esperança média de vida 30 anos, o rei tinha de se considerar já velho. 
  • Os acontecimentos negativos começam por invadir a corte, devido à imobilização do rei (2 meses), de repente tudo se punha em causa.
  • Não havia nenhuma autoridade óbvia além do rei. D. Mafalda já tinha morrido há 11, 12 anos e o príncipe Sancho era ainda demasiado jovem (15 anos).
  • O Alferes – Mor há mais de 20 anos, Pêro Pais da Maia, abandonou a corte para ir servir Fernando II.
  • Morreram os mais fieis auxiliares de Afonso Henriques.
  • As dificuldades que Portugal teve de suportar a partir de 1169, atenuaram-se entre 1175 e 1180.
  •  O Príncipe Herdeiro -  Sancho, já armado cavaleiro começava a comandar o exército.
  •  Afonso continuou a orientar o reino como co-regente. 
  • Em 1174 Sancho casou-se com D. Dulce de Aragão, filha de Raimundo Berenguer IV e Petronilha de Aragão e irmã de Afonso II de Aragão, que havia rompido o casamento com D. Mafalda.
  • A posição de Sancho como futuro rei não podia deixar de consolidar-se com o casamento.
  • A primeira filha, infanta Teresa Sanches nasceu em 1175 (Afonso teria 66 anos).
  • Do casamento, extremamente fecundo, nasceram sete filhas e quatro filhos.
  • Afonso Henriques, forçado à imobilidade, podia minorar as suas prováveis impaciências entretendo-se com os seus netos.
  • D. Teresa, D. Sancha e D. Constança, nascidas entre 1175 e 1182, ainda em vida do avô.
  •   Em 1170 Geraldo ainda tentou novamente conquistar Badajoz, provavelmente com a ajuda do príncipe D. Sancho.
  • Mas não teve sucesso. Tentou então lutar ao lado dos Almóadas. Acabou preso e condenado à morte em 1173.
  • Entretanto foram criadas as Ordens Militares de Santiago da Espada em Cáceres e a Ordem de Évora, para auxílio dos Templários na defesa da fronteira.

  • Bula Manifestis Probatum Est
  • Três meses depois de Afonso ter ditado o seu primeiro testamento, no dia 23 de Maio de 1179.
  • O Papa Alexandre III, por meio da Bula Manifestis Probatum Est, reconheceu a Afonso Henriques o título de rei, declarou que o tomava a ele e aos seus herdeiros sob a protecção da Santa Sé, considerou Portugal como um reino pertencente a S. Pedro e prometeu o auxílio Papal sempre que fosse necessário defender a dignidade régia do soberano português.
  • Terminava assim o longo período de trinta e seis anos que mediou entre a homenagem prestada por Afonso ao Papa como Miles Sancti Petri e o pleno reconhecimento da sua dignidade e independência.
  • Provavelmente por em testamento o rei se dispor a duplicar o montante do censo.
  • Em 1185, os Almóadas cercam Santarém, mas são vencidos pelos Portugueses comandados pelo príncipe Sancho, que inclusive matam o califa.
  •  O rei estava velho, tinha já 75 anos e tinha ultrapassado de longe a idade com que os guerreiros morriam naquele tempo.
  • O condado que herdara havia-se tornado, graças ao seu valor militar, à sua sagacidade política e à inteligente colaboração de alguns, um verdadeiro reino.
  • Não muito vasto, nem muito rico, mas com número suficiente de habitantes e diversidade de recursos para subsistir.
  • A futura rainha Dulce tinha já três filhas e era de esperar que em breve aparecesse um menino, o que veio a acontecer em 1186 (Afonso II).
  • Por isso a infanta Teresa Afonso, que até ali fora considerada herdeira de recurso em caso de morte de Sancho podia agora aceitar propostas de casamento.
  • Foi o que aconteceu em 1184, no verão, já com 33 anos, a princesa foi dada em casamento por seu pai a Filipe da Alsácia, conde da Flandres, viúvo há sete anos.
  •  Afonso teria grande predilecção por esta filha, o certo é que enviou com ela um séquito carregado de magníficos presentes que causaram a admiração do conde e da sua corte e chamaram a atenção dos cronistas da época.
  •  Afonso Henriques morreu no fim do Outono de 1185, a 6 de Dezembro, aos 76 anos.
  • Foi sepultado no mosteiro que ajudou a fundar, junto da esposa e provavelmente dos filhos que já tinham morrido.
  • Depuseram o seu corpo num túmulo que o seu sucessor D. Manuel considerou demasiado modesto e que por isso mandou reformar em 1515.
  • O primeiro túmulo ostentava uma inscrição latina que testemunhava bem a veneração que rodeava o velho rei.
«Aqui jaz um outro Alexandre, ou outro Júlio César, guerreiro invencível, honra brilhante do orbe

Douto na arte de governar, alcançou tempos seguros, alternando a sucessão da paz e das armas.

Quanto a religião de Cristo deve a este homem provam-no os reinos conquistados para o culto da fé.

Alimentado pela doçura da mesma fé, cumulou, além das honras do reino, riquezas para os pobres infelizes.

Que foi defensor da cruz e protegido pela Cruz, assinala-o a Cruz, formada de escudos, no seu próprio escudo.

Ó fama imortal, ainda que reserves para ti tempos longos, ninguém pode proclamar palavras dignas de seus méritos.



Bibliografia: Dom Afonso Henriques, Domingues, Mário - Ed. Prefácio, 2007; Mattoso, José - D. Afonso Henriques, Ed. Temas e Debates, 2007; Wikipédia, a enciclopédia livre.