Notes on Medieval History and Others
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pizza Medieval!

  • A palavra "pizza" surgiu na Idade Média, designava tortas doces e salgadas populares entre a aristocracia italiana.
  • Três séculos antes de Cristo, os fenícios faziam um pão redondo e chato como um disco que cobriam com carne e cebola. O mesmo pão foi adoptado pelos turcos, que preferiam uma cobertura à base de carne de carneiro e iogurte fresco.
  • No século IX, durante as cruzadas, este pão foi levado para o porto italiano de Nápoles, no sul de itália.
  • Os camponeses napolitanos utilizavam os ingredientes que tinham à mão: farinha de trigo, azeite, banha, queijo e ervas naturais;
  • Faziam um condimentado pão redondo e plano adornado com queijo mussarela feito a partir do leite de búfala.
  • Mais tarde com os descobrimentos e a chegada do tomate à europa, a pizza ficou mais parecida com a que comemos hoje em dia.

Bibliografia: Wikipédia, a enciclopédia livre, http://pt.wikipedia.org/wiki/Pizza; Portal São Francisco: História da Pizza - http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-pizza/historia-da-pizza-1.php; Site da Progelcone: A História da Pizza - http://www.progelcone.com/pt/progelfood/PizzaHistoria.asp;

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Capítulo I - Alimentação: 4ª e última parte

A Mesa

  • Bancal ou Mantel - Espécie de alcatifa que se colocava sobre a toalha e a cobrir os bancos;
  • Cada iguaria ou vinho era precedida de criados em procissão, empunhando tochas, sob a chefia de um porteiro;
  • Hábito de lavar as mãos: servidores traziam justas ou gomis, de prata ou outro metal e bacias grandes, com água simples, de rosas ou com outro perfume;
  • Limpavam-se as mãos a napeiras ou toalhas mais pequenas;
  • Sob a mesa dispunham-se peças de ourivesaria, com fins decorativos e utilitários;
  • Manjares trazidos dentro de terrinas ou bacias;
  • Superstição: emprego de curiosas alfaias destinadas a detectar os alimentos impuros: chifres de unicórnio, lingueiros, pedras raras (acreditava-se que em contacto com alimentos impuros estes talismãs mudariam de cor, manchar-se-iam ou começariam a sangrar);
  • Não se usavam pratos, mas grandes metades de pão - Mais tarde substituídas pelo talhador de madeira;
  • Escudelas de madeira ou de prata: para a sopa e alimentos líquidos (de madeira chamavam-se tigelas);
  • Mais tarde serviriam para alimentos sólidos;
  • Cada escudela ou talhador servia dois convivas, sentados lado a lado;
  • Conheciam-se mas usavam-se pouco as colheres;
  • Não havia garfo, comia-se com as mãos;
  • Faca era o instrumento por excelência - Eram as próprias pessoas que levavam a faca de que se iriam servir. Depois de comer limpavam o objecto à toalha ou aos toalhetes;
  • Vasos: Copos maiores e mais pesados que os de hoje;
  • Grais e Tagras: vasos maiores;
  • Copas: para servir líquidos quentes, tapadas por sobrecopas;
  • Púcaras e Pucarinhas de barro, eram munidas de asas;
  • Limpava-se a boca à toalha da mesa;



    Na Idade Média não havia na Europa:
    ·         Batatas
    ·         Courgettes
    ·         Grande maioria das abóboras.
    ·         Feijão (havia apenas feijão carolino e rocha).
    ·         Girassol
    ·         Milho-maiz
    ·         Bananas
    ·         Morangos (da china).
    ·         Piri Piri das Américas
    ·         Kiwis
    ·         Amendoins
    ·         Chocolate




Bibliografia: Marques, A.H. de Oliveira - A Sociedade Medieval Portuguesa, Sá da Costa Editora;          Seidak, Sara – A alimentação e a culinária medieval – workshop Óbidos, 2 de Maio de 2010, in site do Mercado Medieval de Óbidos. 
 

domingo, 30 de novembro de 2008

Capítulo I - Alimentação: Parte 3


Azeite (Jz. 9,8 e 9)[1]
·         Sobretudo usado na iluminação de igrejas e casas nobres.
·         Ingrediente de receitas de mezinhas utilizadas em males e doenças diversas.
·         Possuir olivais e azeite era sinal de poderio económico.
·         Usado no tradicional refogado (com cebola).
·         Usado para fritar e condimentar peixe.
·         Outras gorduras (animais) eram mais utilizadas na alimentação (toucinho, etc.) devido à característica viandeira do homem medieval e ao elevado preço do azeite.
·         O azeite além de alimentar os corpos, iluminava as almas, permitindo que elas alcançassem a salvação eterna.
·         No livro de conselhos d’el rei D. Duarte aparece uma receita para males do estômago: beber água morna com açafrão e um pouco de azeite ou mel.
·         Há ainda uma receita para romper apostemas (abcessos?) que utilizava azeite de lírio.

[1] Santos, Maria José Azevedo Santos – O Azeite e a Vida do Homem Medieval, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 



Leite

  • Viandas de leite: Queijo(fresco, curado, fumado – Alguns duravam muito tempo), nata, manteiga, doces feitos à base de lacticínios;
  • O leite por si próprio era pouco consumido, apenas como medicamento;
  • Lacticínios eram acompanhamentos ou sobremesas;
Ovos
  • Eram consumidos com fartura, consequência natural da abundância da criação (cozidos, escalfados, mexidos);
Fruta
  • Desempenhavam papel de relevo - Todas as que comemos hoje, algumas foram trazidas pelos árabes (apenas a laranja doce viria a ser trazida por Vasco da Gama);
  • Laranja azeda tinha funções semelhantes ao limão;
  • Cerejas e pêssegos eram considerados pouco saudáveis;
  • Era uso comer fruta acompanhada de vinho à laia de refresco ou como refeição ligeira à noite;
  • Fruta fresca, fruta seca, conservas e doces de fruta;
  • Figos secos, passas de uvas, amêndoas, nozes, alfarrobas, castanhas, azeitonas;
  • Conservas e doces de cidra (casquinhas, diaciderão), pêssego (pessegada), limão, pêra (perinhas, perada), abóbora e marmelo (marmelada, bocados, almívar de marmelo);
  • Flor de laranja: tempero e perfume;
  • Talos: Conserva especial de alface;
Sobremesas
  • Fabrico de bolos não muito desenvolvido;
  • Mel como adoçante ao alcance de todas as bolsas;
  • Fabricavam-se biscoitos de flor de laranja, pasteis de leite e pão de ló;
  • Fartéis: Feitos à base de mel, farinha e especiarias;
  • Com ovos: Canudos e laços;
  • Só a partir do renascimento se desenvolverá a indústria doceira nacional;

Cereais e Vinho
  • Trilogia do pão/vinho/azeite. 
  • Base da alimentação, especialmente quanto ao povo miúdo;
  • Cereais e farinha, pão de trigo, milho ou centeio e cevada e aveia;
  • Pão de trigo: Coziam-se grandes pães (150 e 750 gr), geralmente em forma circular, que cresciam pouco - Serviam de alimento e suporte para a comida;
  • Não se usavam pães pequenos;
  • Embora abundassem as searas de trigo, a produção era insuficiente para o consumo: Várias crises cerealíferas (importação do trigo no estrangeiro - subida do preço no pão);
  • No campo havia sucedâneos para o pão: castanha ou bolota. Base da panificação era o milho, centeio e cevada;
  • Milho não era igual ao de hoje - Era milho miúdo, milheto ou milho painço;
  • Pão de farinhas compósitas: trigo e milho, trigo e centeio, trigo e cevada. Às vezes com farinhas de três cereais diferentes;
  • Grande parte da população fabricava ela própria o seu pão, nos fornos de pão;
  • Na cidade existiam padeiras que o coziam padeiras que o coziam e vendiam em tendas ou ao domicílio;
  • Fogaças - Pães delgados, cozidos debaixo das cinzas ou por rescaldo;
  • Broa: O termo surge no cancioneiro geral - pão de milho;
  • Farinha era usada em pasteis e empadas, também em polme para peixe ou carne, cozer biscoito para exércitos ou armadas. Ou comia-se simplesmente com água, à maneira de papa.
  • O Pão era o alimento – rei.
  • Feito:

o   Nas cinzas (ex. fogaça).
o   No forno
o   Numa forma de barro
o   Envolto em folhas de couve
o   Frito numa frigideira.
o   Assado no espeto.
o   Etc.

·         Pão mais comum: “bucha” – Bola achatada na base.
·         O pão comprado ao padeiro ou feito no forno comunitário levava uma marca para que pudesse ser reconhecido.
·         Era benzido, nunca tocava directamente a mesa, tendo sempre um pano a guardá-lo (ref. Bíblica).
·         Não tinha sal por ser caro.
·         Pão é Cristo, Cristo nos alimenta – Os padeiros alimentam e por isso não tinham senhor, nem podiam ser escravizados.
·         Em média cada pessoa do povo comia meio quilo de pão por dia!


Bebidas
  • Não havia café, nem chá, nem chocolate;
  • Era à base de vinho e água;
  • Branco e tinto - Não havia crises como na produção de cereais;
  • Vinhos Palhetes - Vinho da Azóia (de cor mais rosada) - Tinham fama além fronteiras;
  • Bebia-se vinho em estado natural e cozido - Temperado com água, considerava-se a bebida ideal;
  • O consumo de cerveja não era popular;
  • A água era objecto de desconfiança podendo “causar a morte se usada com frequência na higiene pessoal ou para lavar pratos, por isso estes eram limpos com areia.” – O vinho espalha-se graças a superstições antigas como estas.
  • Até crianças bebiam vinho.
  • Vinho era bebida-rei, sangue de Cristo.
  • Já havia vinho tinto, maduro, branco, rosé, verde, etc.
  • Maioritariamente era bebido com água.


Marques, A.H. de Oliveira - A Sociedade Medieval Portuguesa, Sá da Costa Editora; Seidak, Sara – A alimentação e a culinária medieval – workshop Óbidos, 2 de Maio de 2010, in site do Mercado Medieval de Óbidos. 
 

Capítulo I - Alimentação: Parte 2

Hortaliças e Legumes

  • Não era muito apreciadas nas classes superiores;
  • O povo fazia basto uso das couves (couve comum, couve-flor, couve murciana, couve tronchuda);
  • Feijões e favas (muito usados no mundo islâmico);
  • Ervilhas, lentilhas, grãos de bico, pícaros (sucedâneos ou complementos do pão);
  • Quando escasseavam os cereais no reino (frequente em meados do séc. XIV), importavam--se favas (moídas para fazer farinha ou cozinhadas) do estrangeiro para ocorrer à penúria;
  • No interior, beirões e transmontanos tinham castanha e durante metade do ano comiam-na em vez de pão;
  • Cogumelos,cenouras, nabos, espargos, brócolos, alfaces, pepinos, rabanetes, rábanos e outros produtos hortícolas consumiam-se da mesma forma;
  • Já se fazia “tempura”: Carne, peixe e verduras passados em massa fina de farinha e água e fritos.      

Especiarias
  • Culinária requintada nas casas ricas: ervas de cheiro (coentros, salsa, hortelã) e sumos (limão e agraço), vinagre, cebola e pinhões;
  • Refogado de cebola e azeite;
  • Séc. XII a XV: Diversas especiarias eram conhecidas e aplicadas - Importadas do Oriente;
  • Consumo de algumas drogas na casa real desde fins do séc. XII;
  • Açúcar com as variedades açúcar rosado e açúcar de Alexandria: Valia 50 x mais o preço do mel!
  • Comprava-se pimenta (muito usada, mas rara), gengibre e outras especiarias difíceis de identificar hoje;
  • Usava-se muito azeite e manteiga, toucinho e banha e em certos casos gordura de vaca;
  • Sal - Tempero básico e essencial à conservação de alimentos;
  • Jardim era parte obrigatória da cozinha: plantavam-se ervas aromáticas, etc. 




Bibliografia: Marques, A.H. de Oliveira - A Sociedade Medieval Portuguesa, Sá da Costa Editora;  Seidak, Sara – A alimentação e a culinária medieval – workshop Óbidos, 2 de Maio de 2010, in site do Mercado Medieval de Óbidos. 
 

sábado, 29 de novembro de 2008

Capítulo I - Alimentação

  • Alimentação Pobre
  • Quantidade em vez de qualidade
  • Deficiente em vitamina D, A e C (débil resistência às infecções, doenças do fígado, dos rins e dos olhos, escorbuto).

  • Baseada em alimentos frescos – A primavera e o verão traziam a qualidade e a quantidade que outras estações não tinham.
  • Os alimentos quando não consumidos frescos eram conservados através de:
    • Fumeiro
    • Salga
    • Vinagre
    • Cristalização
    • Seca ao sol
    • Cozinhados em pastas, marmeladas e doces.
    • Colocados em mostarda e outras especiarias ou azeite (incluindo a fruta, os legumes, a carne, o peixe, os produtos lácteos, os ovos, as nozes).
  • Alternância entre dias magros e excessos absurdos!
Refeições
  • Jantar: 10 e 11h da manhã no séc. XIV, 8 e 9h nos séc. anteriores; (3 pratos, sem contar sopas, acompanhamentos ou sobremesas - Rei, nobreza e alto-clero).
  • Ceia: 6 ou 7 horas da tarde (2 pratos).
Base - Carne
  • Carnes gordas (vaca, porco, carneiro, cabrito).
  • Caça (gamo, zebro, cervo, lebre, urso; aves: perdiz, abetarda, gru, pato bravo, cerceta, garça, maçarico, fuselo, sisão, galeirão, calhandra, etc).
  • Criação (galinhas, patos, gansos, pombos, pavões, faisões, rolas, coelhos).
  • Boa parte dos pagamentos que o vilão era obrigado a fazer ao seu senhor era feita em caça e criação.
  • O Senhor recebia tanta carne que uma lei de 1340 lhe proibia de comprar carne no mercado.
  • Enchidos Vários (chouriços, linguiças, etc.)
  • A forma mais frequente de cozinhar carne era assá-la no espeto(Assado).
  • Cozido (carne cozida)
  • Desfeito (carne picada)
  • Estufado (carne estufada)
  • Badulaque (espécie de caldeirada de carneiro).
Peixe
  • Base da alimentação, especialmente nas classes menos abastadas.
  • 68 dias no ano de abstinência de carne para todos os Católicos -Nada de carne, ovos, queijos, manteiga, banha, vinho e até peixe gordo! Substituídos por mariscos ou peixes pequenos, fruta e ervilhas;
  • Pescada, sardinha, congros, sáveis, salmonelas e lampreias;
  • Ruivos, pargos, atuns, trutas, solhos, bizugos, cações, rodolhavos, gorazes, linguados, azevias;
  • Carne de baleia e toninha;
  • Mariscos: ostras, ameijoa e berbigão;
  • Crustáceos (lagostas, e caranguejos).
  • Servido à mesa real frito ou em empadas;
  • Sertãs para frigir; alqueires de farinha para polme ou massa de empadas; Adubos (temperos) laranjas, salsa, azeite, vinagre;
  • As empadas não eram feitas na cozinha real, mas sim por uma padeira.
  • Peixe fresco, seco (ao sol - facilita transporte e armazenagem), salgado ou defumado.


Bibliografia: Marques, A.H. de Oliveira - A Sociedade Medieval Portuguesa, Sá da Costa Editora; Seidak, Sara – A alimentação e a culinária medieval – workshop Óbidos, 2 de Maio de 2010, in site do Mercado Medieval de Óbidos.