Azeite (Jz. 9,8 e 9)[1]
·
Sobretudo
usado na iluminação de igrejas e casas nobres.
·
Ingrediente
de receitas de mezinhas utilizadas em males e doenças diversas.
·
Possuir
olivais e azeite era sinal de poderio económico.
·
Usado
no tradicional refogado (com cebola).
·
Usado
para fritar e condimentar peixe.
·
Outras
gorduras (animais) eram mais utilizadas na alimentação (toucinho, etc.) devido
à característica viandeira do homem medieval e ao elevado preço do azeite.
·
O
azeite além de alimentar os corpos, iluminava as almas, permitindo que elas
alcançassem a salvação eterna.
·
No
livro de conselhos d’el rei D. Duarte aparece uma receita para males do
estômago: beber água morna com açafrão e um pouco de azeite ou mel.
·
Há
ainda uma receita para romper apostemas (abcessos?) que utilizava azeite de
lírio.
[1] Santos,
Maria José Azevedo Santos – O Azeite e a Vida do Homem Medieval, Faculdade de
Letras da Universidade de Coimbra.
Leite
- Viandas de leite: Queijo(fresco, curado, fumado – Alguns duravam muito tempo), nata, manteiga, doces feitos à base de lacticínios;
- O leite por si próprio era pouco consumido, apenas como medicamento;
- Lacticínios eram acompanhamentos ou sobremesas;
Ovos
- Eram consumidos com fartura, consequência natural da abundância da criação (cozidos, escalfados, mexidos);
Fruta
- Desempenhavam papel de relevo - Todas as que comemos hoje, algumas foram trazidas pelos árabes (apenas a laranja doce viria a ser trazida por Vasco da Gama);
- Laranja azeda tinha funções semelhantes ao limão;
- Cerejas e pêssegos eram considerados pouco saudáveis;
- Era uso comer fruta acompanhada de vinho à laia de refresco ou como refeição ligeira à noite;
- Fruta fresca, fruta seca, conservas e doces de fruta;
- Figos secos, passas de uvas, amêndoas, nozes, alfarrobas, castanhas, azeitonas;
- Conservas e doces de cidra (casquinhas, diaciderão), pêssego (pessegada), limão, pêra (perinhas, perada), abóbora e marmelo (marmelada, bocados, almívar de marmelo);
- Flor de laranja: tempero e perfume;
- Talos: Conserva especial de alface;
Sobremesas
- Fabrico de bolos não muito desenvolvido;
- Mel como adoçante ao alcance de todas as bolsas;
- Fabricavam-se biscoitos de flor de laranja, pasteis de leite e pão de ló;
- Fartéis: Feitos à base de mel, farinha e especiarias;
- Com ovos: Canudos e laços;
- Só a partir do renascimento se desenvolverá a indústria doceira nacional;
Cereais e Vinho
- Trilogia do pão/vinho/azeite.
- Base da alimentação, especialmente quanto ao povo miúdo;
- Cereais e farinha, pão de trigo, milho ou centeio e cevada e aveia;
- Pão de trigo: Coziam-se grandes pães (150 e 750 gr), geralmente em forma circular, que cresciam pouco - Serviam de alimento e suporte para a comida;
- Não se usavam pães pequenos;
- Embora abundassem as searas de trigo, a produção era insuficiente para o consumo: Várias crises cerealíferas (importação do trigo no estrangeiro - subida do preço no pão);
- No campo havia sucedâneos para o pão: castanha ou bolota. Base da panificação era o milho, centeio e cevada;
- Milho não era igual ao de hoje - Era milho miúdo, milheto ou milho painço;
- Pão de farinhas compósitas: trigo e milho, trigo e centeio, trigo e cevada. Às vezes com farinhas de três cereais diferentes;
- Grande parte da população fabricava ela própria o seu pão, nos fornos de pão;
- Na cidade existiam padeiras que o coziam padeiras que o coziam e vendiam em tendas ou ao domicílio;
- Fogaças - Pães delgados, cozidos debaixo das cinzas ou por rescaldo;
- Broa: O termo surge no cancioneiro geral - pão de milho;
- Farinha era usada em pasteis e empadas, também em polme para peixe ou carne, cozer biscoito para exércitos ou armadas. Ou comia-se simplesmente com água, à maneira de papa.
- O Pão era o alimento – rei.
- Feito:
o Nas cinzas (ex. fogaça).
o No forno
o Numa forma de barro
o Envolto em folhas de couve
o Frito numa frigideira.
o Assado no espeto.
o Etc.
·
Pão mais comum: “bucha” –
Bola achatada na base.
·
O pão comprado ao padeiro
ou feito no forno comunitário levava uma marca para que pudesse ser
reconhecido.
·
Era benzido, nunca tocava
directamente a mesa, tendo sempre um pano a guardá-lo (ref. Bíblica).
·
Não tinha sal por ser caro.
·
Pão é Cristo, Cristo nos
alimenta – Os padeiros alimentam e por isso não tinham senhor, nem podiam ser
escravizados.
·
Em média cada pessoa do
povo comia meio quilo de pão por dia!
Bebidas
- Não havia café, nem chá, nem chocolate;
- Era à base de vinho e água;
- Branco e tinto - Não havia crises como na produção de cereais;
- Vinhos Palhetes - Vinho da Azóia (de cor mais rosada) - Tinham fama além fronteiras;
- Bebia-se vinho em estado natural e cozido - Temperado com água, considerava-se a bebida ideal;
- O consumo de cerveja não era popular;
- A água era objecto de desconfiança podendo “causar a morte se usada com frequência na higiene pessoal ou para lavar pratos, por isso estes eram limpos com areia.” – O vinho espalha-se graças a superstições antigas como estas.
- Até crianças bebiam vinho.
- Vinho era bebida-rei, sangue de Cristo.
- Já havia vinho tinto, maduro, branco, rosé, verde, etc.
- Maioritariamente era bebido com água.
Marques, A.H. de Oliveira - A Sociedade Medieval Portuguesa, Sá da Costa Editora; Seidak, Sara – A alimentação e a culinária medieval – workshop Óbidos, 2 de Maio de 2010, in site do Mercado Medieval de Óbidos.
Sem comentários:
Enviar um comentário