Notes on Medieval History and Others

domingo, 30 de novembro de 2008

Capítulo I - Alimentação: Parte 3


Azeite (Jz. 9,8 e 9)[1]
·         Sobretudo usado na iluminação de igrejas e casas nobres.
·         Ingrediente de receitas de mezinhas utilizadas em males e doenças diversas.
·         Possuir olivais e azeite era sinal de poderio económico.
·         Usado no tradicional refogado (com cebola).
·         Usado para fritar e condimentar peixe.
·         Outras gorduras (animais) eram mais utilizadas na alimentação (toucinho, etc.) devido à característica viandeira do homem medieval e ao elevado preço do azeite.
·         O azeite além de alimentar os corpos, iluminava as almas, permitindo que elas alcançassem a salvação eterna.
·         No livro de conselhos d’el rei D. Duarte aparece uma receita para males do estômago: beber água morna com açafrão e um pouco de azeite ou mel.
·         Há ainda uma receita para romper apostemas (abcessos?) que utilizava azeite de lírio.

[1] Santos, Maria José Azevedo Santos – O Azeite e a Vida do Homem Medieval, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 



Leite

  • Viandas de leite: Queijo(fresco, curado, fumado – Alguns duravam muito tempo), nata, manteiga, doces feitos à base de lacticínios;
  • O leite por si próprio era pouco consumido, apenas como medicamento;
  • Lacticínios eram acompanhamentos ou sobremesas;
Ovos
  • Eram consumidos com fartura, consequência natural da abundância da criação (cozidos, escalfados, mexidos);
Fruta
  • Desempenhavam papel de relevo - Todas as que comemos hoje, algumas foram trazidas pelos árabes (apenas a laranja doce viria a ser trazida por Vasco da Gama);
  • Laranja azeda tinha funções semelhantes ao limão;
  • Cerejas e pêssegos eram considerados pouco saudáveis;
  • Era uso comer fruta acompanhada de vinho à laia de refresco ou como refeição ligeira à noite;
  • Fruta fresca, fruta seca, conservas e doces de fruta;
  • Figos secos, passas de uvas, amêndoas, nozes, alfarrobas, castanhas, azeitonas;
  • Conservas e doces de cidra (casquinhas, diaciderão), pêssego (pessegada), limão, pêra (perinhas, perada), abóbora e marmelo (marmelada, bocados, almívar de marmelo);
  • Flor de laranja: tempero e perfume;
  • Talos: Conserva especial de alface;
Sobremesas
  • Fabrico de bolos não muito desenvolvido;
  • Mel como adoçante ao alcance de todas as bolsas;
  • Fabricavam-se biscoitos de flor de laranja, pasteis de leite e pão de ló;
  • Fartéis: Feitos à base de mel, farinha e especiarias;
  • Com ovos: Canudos e laços;
  • Só a partir do renascimento se desenvolverá a indústria doceira nacional;

Cereais e Vinho
  • Trilogia do pão/vinho/azeite. 
  • Base da alimentação, especialmente quanto ao povo miúdo;
  • Cereais e farinha, pão de trigo, milho ou centeio e cevada e aveia;
  • Pão de trigo: Coziam-se grandes pães (150 e 750 gr), geralmente em forma circular, que cresciam pouco - Serviam de alimento e suporte para a comida;
  • Não se usavam pães pequenos;
  • Embora abundassem as searas de trigo, a produção era insuficiente para o consumo: Várias crises cerealíferas (importação do trigo no estrangeiro - subida do preço no pão);
  • No campo havia sucedâneos para o pão: castanha ou bolota. Base da panificação era o milho, centeio e cevada;
  • Milho não era igual ao de hoje - Era milho miúdo, milheto ou milho painço;
  • Pão de farinhas compósitas: trigo e milho, trigo e centeio, trigo e cevada. Às vezes com farinhas de três cereais diferentes;
  • Grande parte da população fabricava ela própria o seu pão, nos fornos de pão;
  • Na cidade existiam padeiras que o coziam padeiras que o coziam e vendiam em tendas ou ao domicílio;
  • Fogaças - Pães delgados, cozidos debaixo das cinzas ou por rescaldo;
  • Broa: O termo surge no cancioneiro geral - pão de milho;
  • Farinha era usada em pasteis e empadas, também em polme para peixe ou carne, cozer biscoito para exércitos ou armadas. Ou comia-se simplesmente com água, à maneira de papa.
  • O Pão era o alimento – rei.
  • Feito:

o   Nas cinzas (ex. fogaça).
o   No forno
o   Numa forma de barro
o   Envolto em folhas de couve
o   Frito numa frigideira.
o   Assado no espeto.
o   Etc.

·         Pão mais comum: “bucha” – Bola achatada na base.
·         O pão comprado ao padeiro ou feito no forno comunitário levava uma marca para que pudesse ser reconhecido.
·         Era benzido, nunca tocava directamente a mesa, tendo sempre um pano a guardá-lo (ref. Bíblica).
·         Não tinha sal por ser caro.
·         Pão é Cristo, Cristo nos alimenta – Os padeiros alimentam e por isso não tinham senhor, nem podiam ser escravizados.
·         Em média cada pessoa do povo comia meio quilo de pão por dia!


Bebidas
  • Não havia café, nem chá, nem chocolate;
  • Era à base de vinho e água;
  • Branco e tinto - Não havia crises como na produção de cereais;
  • Vinhos Palhetes - Vinho da Azóia (de cor mais rosada) - Tinham fama além fronteiras;
  • Bebia-se vinho em estado natural e cozido - Temperado com água, considerava-se a bebida ideal;
  • O consumo de cerveja não era popular;
  • A água era objecto de desconfiança podendo “causar a morte se usada com frequência na higiene pessoal ou para lavar pratos, por isso estes eram limpos com areia.” – O vinho espalha-se graças a superstições antigas como estas.
  • Até crianças bebiam vinho.
  • Vinho era bebida-rei, sangue de Cristo.
  • Já havia vinho tinto, maduro, branco, rosé, verde, etc.
  • Maioritariamente era bebido com água.


Marques, A.H. de Oliveira - A Sociedade Medieval Portuguesa, Sá da Costa Editora; Seidak, Sara – A alimentação e a culinária medieval – workshop Óbidos, 2 de Maio de 2010, in site do Mercado Medieval de Óbidos. 
 

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