Os Muçulmanos (significa crente em árabe) são um povo originário da Península Arábica.
No séc. VIII, este território era habitado por um conjunto de tribos nómadas, povos desconhecedores de qualquer tipo de unidade política e religiosa.
Foi neste contexto que se destacou Maomé, um jovem pastor, nascido em 520.
Segundo a lenda, Maomé recebeu do anjo Gabriel a revelação de que era o profeta escolhido para pregar a palavra de Alá, o Deus do Islão.
Assim que deu início à sua pregação, Maomé enfrentou as perseguições de alguns homens ricos. Por isso abandona a cidade de Meca, e em 622 refugia-se no Oásis de Iatrib, que mais tarde veio a ser a cidade de Medina, de onde iniciou a chamada Guerra Santa - Jihâd islâmica.
Islamismo - Defende a crença num só Deus - Monoteísmo (tal como no Cristianismo e no Judaísmo).
Corão - Livro sagrado, no qual se encontra reunida a palavra de Deus.
Preceitos Islâmicos: Todos os Muçulmanos se devem reger por cinco princípios:
Ter fé em Alá;
Orar cinco vezes por dia voltados para Meca;
Jejuar durante o Ramadão (no nono mês do calendário Árabe - Proibição de beber, comer, fumar e ter relações sexuais entre o nascer e o por do sol);
Fazer uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida;
Praticar a dádiva da esmola;
A Expansão Comercial
Quando Maomé morreu, em 622, a Península Arábica tinha atingido a estabilidade religiosa e política.
Uma parte considerável da população estava convertida aos ideais islâmicos e o poder encontrava-se nas mãos do Califa, chefe religioso e político.
Foi neste período que os Muçulmanos iniciaram a expansão do seu território, que iria originar a formação do Império Muçulmano.
Dois factores explicam a expansão muçulmana:
Factor Religioso: O desejo de expandir o Islamismo (a Guerra Santa) a outras regiões e povos;
Factor Económico: Os Árabes dispunham de poucas terras aráveis, já que grande parte do seu território era desértico. Na sua expansão para Ocidente, procuravam solos férteis e o controlo das rotas comerciais.
No século VIII, o Império Muçulmano estendia-se desde a Península Ibérica às fronteiras da Índia.
Os mercadores muçulmanos foram os que mais beneficiaram com este movimento expansionista. Os Árabes controlavam o comércio no mar Mediterrâneo, no mar Vermelho, e no Golfo Pérsico.
A circulação do Dinar (moeda em ouro de cunhagem árabe), a utilização das cartas de crédito e das letras de câmbio revolucionaram a actividade comercial.
À capital muçulmana, Bagdade, chegavam, de todo o Mundo, produtos agrícolas, objectos de luxo e artigos manufacturados.
Tudo era comercializado: especiarias da Índia, ouro da África, perfumes da China e madeiras, estanho e ferro da Europa Ocidental.
A economia muçulmana era, fundamentalmente, urbana, comercial e monetária.
Herança Cultural Islâmica
A construção do Império Muçulmano e a sua manutenção só foram possíveis graças à unidade linguística e religiosa.
Do ponto de vista cultural, a civilização muçulmana absorveu influências gregas, bizantinas e indianas, passando a funcionar como um elo de ligação entre o Oriente e o Ocidente.
Esta civilização soube tirar partido da riqueza destas culturas, o que justifica que, no séc. VIII, as escolas e universidades muçulmanas tivessem sido sinónimo de prestígio na difusão dos saberes.
A presença Árabe nas regiões conquistadas evidenciou intensos contrastes civilizacionais.
No entanto, para as áreas dominadas, essa presença resultou num enriquecimento cultural e científico em vários domínios:
Matemática - Aperfeiçoaram a álgebra e, com base no sistema de numeração indiana, criaram os algarismos árabes e introduziram o zero.
Medicina - A partir dos ensinamentos dos gregos, os Muçulmanos desenvolveram novos desenvolvimentos anatómicos como a descoberta do sistema nervoso central. Os alquimistas árabes revelaram produtos como o álcool e o ácido sulfúrico.
Astronomia - Revelavam já ter conhecimentos acerca do movimento da Terra em torno do Sol. Deram a conhecer aos demais povos do Império instrumentos de orientação como o astrolábio e a bússola.
Arte - Destacaram-se na arquitectura e nas artes decorativas. Alguns dos seus edifícios apresentam planta octogonal. Era comum utilizarem o arco em ferradura, a cúpula bizantina, os capiteis gregos e pormenores decorativos persas. O interior dos templos (mesquitas) é ornamentado com elementos geométricos, uma vez que o Alcorão proíbe a representação da figura humana ou animal em edifícios religiosos.
Evidenciaram-se ainda noutras áreas como a geografia, a química e a literatura.
Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores