Notes on Medieval History and Others
Mostrar mensagens com a etiqueta Oriente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Oriente. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Parte 9 - A Reconquista

  • A Reconquista Cristã foi iniciada a partir das Astúrias e dos Pirenéus, estes dois núcleos vieram dar origem à formação de vários reinos:
  1. Leão
  2. Castela
  3. Navarra
  4. Aragão
  • Mais tarde os dois primeiros juntam-se formando o reino de Leão e Castela;
  • As fronteiras destes reinos foram sofrendo avanços e recuos, determinados por momentos políticos favoráveis ou desfavoráveis pelos quais passavam Cristãos e Muçulmanos;
  • Durante o séc.X, a força militar do califado de Córdova obrigou os Cristãos a recuarem inúmeras vezes;
  • Após a desintegração do califado, no séc. XI e posterior divisão em pequenos reinos de taifas, os Cristãos vão poder avançar para sul e ocupar vastos territórios;
  • Assustados com os progressos cristãos, os reinos de taifas pediram ajuda aos almorávidas (guerreiros fanáticos do Norte de África) que, ao chegarem à Península, derrotaram os Cristãos, acabando por unificar e dominar todo o Al-Andaluz;
  • Perante a ameaça dos almorávidas e o recuo das fronteiras para Norte, o rei de Leão e Castela, Afonso VI, solicitou apoio militar aos Francos e à Igreja Católica;
  • A Santa Sé concedeu à Reconquista, em 1064, o estatuto de Cruzada;
  • Foi neste contexto que, com a intervenção da Ordem de Cluny e da Igreja, o rei dos Francos enviou os condes D.Raimundo e D.Henrique, acompanhados por cruzados, para ajudar na luta contra os infiéis;
  • Pelo empenho e serviços prestados por estes nobres franceses, Afonso VI concedeu-lhes a mão das suas filhas, D.Teresa e D.Urraca, em casamento;
  • O conde D.Henrique casou com D.Teresa, em 1094, e o rei de Leão e Castela fez-lhe a doação de um feudo hereditário, o Condado Portucalense, que incluía as terras entre o rio Minho e o sul de Coimbra.
Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores

domingo, 25 de janeiro de 2009

Parte 8 - Cristãos e Muçulmanos III

A Herança Muçulmana


  • Na agricultura introduziram o cultivo do arroz, da cana-de-açúcar, da alcachofra, da alface, da cenoura, do espinafre e árvores de fruto como a laranjeira, o limoeiro, a amendoeira, a pereira, a macieira e a cerejeira;
  • Aproveitaram a água dos rios para fazer mover os moinhos, abriram poços e usaram a nora para retirar a água, ao mesmo tempo que desenvolveram técnicas de irrigação que possibilitaram um aumento considerável da produção agrícola;
  • Nas ciências, alargaram os estudos da medicina, da matemática, da astronomia e da navegação; A eles se deve a divulgação de instrumentos de marear, como a bússola e o astrolábio;
  • Senhores de uma extraordinária cultura, deixaram na Península Ibérica tratados sobre Filosofia, História e Teologia, para além de livros de poesia e traduções de autores gregos e romanos;
  • Durante a ocupação muçulmana, apesar da língua oficial ser o árabe, as populações mantiveram o latim, mas inseriram centenas de vocábulos árabes que ainda hoje usamos, como: azeite, abóbora, xarope, Algarve, alcofa, albufeira, armazém, almofada, chafariz, camisola, ceroulas, alicate, etc.
  • Na arquitectura construíram palácios, castelos, torrer e mesquitas e introduziram elementos arquitectónicos como os arcos em ferradura e os arcos polilobados;
  • Deixaram também técnicas como a do mosaico, que irá ter continuidade em Portugal com o azulejo;
  • Monumentos mais importantes construídos pelos Muçulmanos: Torre da Giralda, em Sevilha, Mesquita de Córdoba, Palácio de Alhambra, em Granada, Mesquita de Mértola e Castelos de Mértola, Sintra e Lisboa.
    Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Parte 8 - Cristãos e Muçulmanos II

A Presença Árabe na Península Ibérica e a Relação com o Mundo Cristão

  • Durante várias centenas de anos coabitaram na Península Ibérica duas religiões e duas culturas muito diferentes: a cristã e a muçulmana.
  • Após a conquista muçulmana, a população dos territórios ocupados continuou a ser maioritariamente cristã, apesar de se terem instalado, sobretudo no Sul ibérico, pessoas de diversas origens étnicas, vindas de todo o Império Muçulmano. Uma parte dos habitantes converteu-se ao Islamismo, mas muitos permaneceram na fé cristã.
  • Alguns nobres visigóticos mantiveram as suas terras, sujeitando-se ao pagamento de impostos às autoridades árabes. Os trabalhadores locais passaram a viver sob o poder muçulmano mas não foram obrigados a mudar a sua religião nem o seu modo de vida.
  • As populações cristãs, que viviam sob o domínio muçulmano, mantendo muitos dos seus costumes (mantendo a sua religião) a troco do pagamento de impostos aos novos ocupantes, chamavam-se moçárabes.
  • Esta atitude de tolerância religiosa da generalidade dos Muçulmanos contribuiu para que ao longo dos séculos, estes dois mundos, cristão e muçulmano, mantivessem contactos e se influenciassem mutuamente.
  • Apesar das lutas que foram travando, as duas comunidades estabeleceram trocas comerciais e culturais.
  • Na Península Ibérica, os contrastes entre o Sul islâmico e o Norte cristão eram bem visíveis:
  1. O Sul era urbano e mercantil. No Al-Andaluz, desenvolveram-se importantes e prósperos centros urbanos, como é o caso de Toledo, Sevilha, Beja e Évora. Nestas regiões praticava-se o comércio de produtos provenientes de um artesanato rico e muito desenvolvido. Nas trocas comerciais era corrente o uso da moeda árabe. A circulação de pessoas e produtos intensificou-se, quer por via terrestre, quer por via fluvial e marítima. Nas povoações, realizavam-se regularmente mercados. Nas cidades, junto dos palácios e das mesquitas foram criadas escolas e bibliotecas.
  2. O Norte, montanhoso e pouco povoado, era rural e com economia de subsistência. A fraca produção agrícola não permitia excedentes. As cidades mantiveram-se pequenas e o comércio pouco desenvolvido, prevalecendo ainda as trocas directas.
    Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Parte 8 - Cristãos e Muçulmanos - Ocupação e Resistência

A Conquista Muçulmana da Península

  • No início do séc. VIII, o reino visigodo da Península Ibérica encontrava-se enfraquecido por graves divisões internas. Conhecedores desta situação, os Muçulmanos do Norte de África resolveram atravessar o estreito de Gibraltar e avançar para a conquista do território peninsular.
  • Em 711, o exército muçulmano, comandado por Tarik, venceu as tropas cristãs na batalha de Guadalete, no sul de Espanha, e progrediu rapidamente para norte, sem encontrar grande resistência da parte dos Visigodos.
  • Com a ajuda de reforços, os Muçulmanos chegaram facilmente aos Pirenéus e tentaram continuar o seu movimento expansionista para o reino dos Francos, mas foram derrotados na batalha de Poitiers, em 732.
  • Alguns nobres visigodos refugiaram-se, com as suas gentes, nas montanhas das Astúrias e nos Pirenéus, a única zona não ocupada pelos Muçulmanos.
  • A partir daí, os Cristãos iniciam um processo de resistência e reconquista da península, que irá durar perto de oito séculos.
  • A primeira batalha que os Cristãos venceram foi a de Covadonga, em 722, mas a expulsão definitiva dos Árabes na Península Ibérica só se verificará em 1492, com a conquista do reino de Granada.
A Resistência Cristã
  • Os primeiros núcleos de resistência à ocupação árabe da Península, foram organizados pelos Cristãos, que estavam refugiados nas Astúrias e nos Pirenéus.
  • Com a ajuda da Igreja Católica e dos Francos, os Cristãos vão tentar recuperar o território perdido. Este movimento de Reconquista Cristã, apoiado muitas vezes por cavaleiros cruzados, sofreu avanços e recuos.
  • No decorrer deste processo, formaram-se pequenos condados que se constituíram em reinos cristãos: Leão, Castela, Aragão e Navarra.
  • No ocidente da Península Ibérica, em meados do século X, a Reconquista cristã tinha chegado ao rio Douro e permitiu a formação do Condado Portucalense, nas terras entre os rios Lima e Douro.
  • Contudo, o Sul da Península, os Árabes consolidaram a sua presença e esta região passou a fazer parte, desde o século VIII, do vasto Império Muçulmano, com o nome de Al-Andaluz.
    Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Parte 5 - O Mundo Muçulmano em Expansão


  • Os Muçulmanos (significa crente em árabe) são um povo originário da Península Arábica.
  • No séc. VIII, este território era habitado por um conjunto de tribos nómadas, povos desconhecedores de qualquer tipo de unidade política e religiosa.
  • Foi neste contexto que se destacou Maomé, um jovem pastor, nascido em 520.
  • Segundo a lenda, Maomé recebeu do anjo Gabriel a revelação de que era o profeta escolhido para pregar a palavra de Alá, o Deus do Islão.
  • Assim que deu início à sua pregação, Maomé enfrentou as perseguições de alguns homens ricos. Por isso abandona a cidade de Meca, e em 622 refugia-se no Oásis de Iatrib, que mais tarde veio a ser a cidade de Medina, de onde iniciou a chamada Guerra Santa - Jihâd islâmica.
  • Islamismo - Defende a crença num só Deus - Monoteísmo (tal como no Cristianismo e no Judaísmo).
  • Corão - Livro sagrado, no qual se encontra reunida a palavra de Deus.
  • Preceitos Islâmicos: Todos os Muçulmanos se devem reger por cinco princípios:
  1. Ter fé em Alá;
  2. Orar cinco vezes por dia voltados para Meca;
  3. Jejuar durante o Ramadão (no nono mês do calendário Árabe - Proibição de beber, comer, fumar e ter relações sexuais entre o nascer e o por do sol);
  4. Fazer uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida;
  5. Praticar a dádiva da esmola;
  • Crença de que através da caridade e da oração, os fiéis obtêm a salvação eterna;
A Expansão Comercial
  • Quando Maomé morreu, em 622, a Península Arábica tinha atingido a estabilidade religiosa e política.
  • Uma parte considerável da população estava convertida aos ideais islâmicos e o poder encontrava-se nas mãos do Califa, chefe religioso e político.
  • Foi neste período que os Muçulmanos iniciaram a expansão do seu território, que iria originar a formação do Império Muçulmano.
  • Dois factores explicam a expansão muçulmana:
  1. Factor Religioso: O desejo de expandir o Islamismo (a Guerra Santa) a outras regiões e povos;
  2. Factor Económico: Os Árabes dispunham de poucas terras aráveis, já que grande parte do seu território era desértico. Na sua expansão para Ocidente, procuravam solos férteis e o controlo das rotas comerciais.
  • No século VIII, o Império Muçulmano estendia-se desde a Península Ibérica às fronteiras da Índia.
  • Os mercadores muçulmanos foram os que mais beneficiaram com este movimento expansionista. Os Árabes controlavam o comércio no mar Mediterrâneo, no mar Vermelho, e no Golfo Pérsico.
  • A circulação do Dinar (moeda em ouro de cunhagem árabe), a utilização das cartas de crédito e das letras de câmbio revolucionaram a actividade comercial.
  • À capital muçulmana, Bagdade, chegavam, de todo o Mundo, produtos agrícolas, objectos de luxo e artigos manufacturados.
  • Tudo era comercializado: especiarias da Índia, ouro da África, perfumes da China e madeiras, estanho e ferro da Europa Ocidental.
  • A economia muçulmana era, fundamentalmente, urbana, comercial e monetária.
Herança Cultural Islâmica
  • A construção do Império Muçulmano e a sua manutenção só foram possíveis graças à unidade linguística e religiosa.
  • Do ponto de vista cultural, a civilização muçulmana absorveu influências gregas, bizantinas e indianas, passando a funcionar como um elo de ligação entre o Oriente e o Ocidente.
  • Esta civilização soube tirar partido da riqueza destas culturas, o que justifica que, no séc. VIII, as escolas e universidades muçulmanas tivessem sido sinónimo de prestígio na difusão dos saberes.
  • A presença Árabe nas regiões conquistadas evidenciou intensos contrastes civilizacionais.
  • No entanto, para as áreas dominadas, essa presença resultou num enriquecimento cultural e científico em vários domínios:
  1. Matemática - Aperfeiçoaram a álgebra e, com base no sistema de numeração indiana, criaram os algarismos árabes e introduziram o zero.
  2. Medicina - A partir dos ensinamentos dos gregos, os Muçulmanos desenvolveram novos desenvolvimentos anatómicos como a descoberta do sistema nervoso central. Os alquimistas árabes revelaram produtos como o álcool e o ácido sulfúrico.
  3. Astronomia - Revelavam já ter conhecimentos acerca do movimento da Terra em torno do Sol. Deram a conhecer aos demais povos do Império instrumentos de orientação como o astrolábio e a bússola.
  4. Arte - Destacaram-se na arquitectura e nas artes decorativas. Alguns dos seus edifícios apresentam planta octogonal. Era comum utilizarem o arco em ferradura, a cúpula bizantina, os capiteis gregos e pormenores decorativos persas. O interior dos templos (mesquitas) é ornamentado com elementos geométricos, uma vez que o Alcorão proíbe a representação da figura humana ou animal em edifícios religiosos.
  5. Evidenciaram-se ainda noutras áreas como a geografia, a química e a literatura.

Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores