Notes on Medieval History and Others

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Parte 8 - Cristãos e Muçulmanos II

A Presença Árabe na Península Ibérica e a Relação com o Mundo Cristão

  • Durante várias centenas de anos coabitaram na Península Ibérica duas religiões e duas culturas muito diferentes: a cristã e a muçulmana.
  • Após a conquista muçulmana, a população dos territórios ocupados continuou a ser maioritariamente cristã, apesar de se terem instalado, sobretudo no Sul ibérico, pessoas de diversas origens étnicas, vindas de todo o Império Muçulmano. Uma parte dos habitantes converteu-se ao Islamismo, mas muitos permaneceram na fé cristã.
  • Alguns nobres visigóticos mantiveram as suas terras, sujeitando-se ao pagamento de impostos às autoridades árabes. Os trabalhadores locais passaram a viver sob o poder muçulmano mas não foram obrigados a mudar a sua religião nem o seu modo de vida.
  • As populações cristãs, que viviam sob o domínio muçulmano, mantendo muitos dos seus costumes (mantendo a sua religião) a troco do pagamento de impostos aos novos ocupantes, chamavam-se moçárabes.
  • Esta atitude de tolerância religiosa da generalidade dos Muçulmanos contribuiu para que ao longo dos séculos, estes dois mundos, cristão e muçulmano, mantivessem contactos e se influenciassem mutuamente.
  • Apesar das lutas que foram travando, as duas comunidades estabeleceram trocas comerciais e culturais.
  • Na Península Ibérica, os contrastes entre o Sul islâmico e o Norte cristão eram bem visíveis:
  1. O Sul era urbano e mercantil. No Al-Andaluz, desenvolveram-se importantes e prósperos centros urbanos, como é o caso de Toledo, Sevilha, Beja e Évora. Nestas regiões praticava-se o comércio de produtos provenientes de um artesanato rico e muito desenvolvido. Nas trocas comerciais era corrente o uso da moeda árabe. A circulação de pessoas e produtos intensificou-se, quer por via terrestre, quer por via fluvial e marítima. Nas povoações, realizavam-se regularmente mercados. Nas cidades, junto dos palácios e das mesquitas foram criadas escolas e bibliotecas.
  2. O Norte, montanhoso e pouco povoado, era rural e com economia de subsistência. A fraca produção agrícola não permitia excedentes. As cidades mantiveram-se pequenas e o comércio pouco desenvolvido, prevalecendo ainda as trocas directas.
    Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores

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