- Dulce de Aragão ou Dulce Berenguer de Barcelona, filha da rainha Petronilha de Aragão e do Conde de Barcelona Raimundo Berenguer IV (e irmã de Afonso II de Aragão, que chegara a estar noivo da princesa Mafalda, irmã de Sancho) nasceu em 1160.
- Quando se casou com Sancho I, teria catorze anos, nos finais de 1174 e o príncipe teria vinte.
- Tal aliança permitiria consolidar as bases de uma união que pudesse defrontar as pretensões expansionistas de Leão e manter Castela na esfera da amizade com Portugal.
- Antes da união, foram investigados os laços de parentesco entre os dois esposos para que este casamento não viesse a ser anulado como aconteceu com o casamento da irmã mais velha de Sancho, D.Urraca Afonso com Fernando II de Leão, em Maio de 1175 (salvaguardando no entanto os direitos do herdeiro).
- Nos diplomas, o nome de Sancho abandona o sinal rodado que partilhava com o pai, desde 1169 e começa a partilhá-lo com a sua mulher. Afonso Henriques passa a aparecer associado ao nome da filha Teresa.
- A rainha terá trazido no seu séquito várias pessoas, homens e mulheres de Aragão que permaneceram junto de si, nomeadamente D. Toda Palazins e provavelmente Aldonça, que seria talvez sua afilhada.
- Tinha um notário, o presbítero Pedro Homariz que escreveu o foral de Penacova e que provavelmente escreveria cartas para Aragão ditadas pela mesma.
- Tinha bens próprios, uma longa lista de propriedades, nomeadamente em Alenquer, na Beira, Lourosa, etc.
- No seu primeiro testamento, Sancho atribuía-lhe rendas de Alenquer, da Terra do Vouga, da de Santa Maria e do Porto, e crê-se que a Rainha as gozou na plenitude, pois há notícia de a mesma ter interesses na vila de Alenquer.
- Terá vivido a maior parte do tempo em Coimbra, no paço régio, na alcáçova da cidade. Mas conheceria Alcobaça, Porto, Guimarães, Braga, talvez Lisboa e as terras do Douro e da Beira.
- É a primeira Rainha de quem se conhece a outorga de documentos de gestão do reino (três): o foral de mortágua, uma carta de privilégio e uma confirmação de privilégio.
- Há a hipótese de o foral (1192) ter sido emitido por D. Dulce porque o rei estava doente e a mesma tomou as rédeas da governação do reino.
- No seu primeiro testamento, Sancho nomeou Dulce como sua testamenteira, ao lado de importantes personalidades do reino.
- Realizou várias obras de caridade e penitência.
- Doou um cálice de prata dourada e pedras preciosas ao Mosteiro de Alcobaça.
- Em conjunto com o marido ofereceu um outro cálice ao Mosteiro de Santa Marinha da Costa, em hora de sua sogra, a rainha Mafalda de Sabóia, considerada a fundadora do Mosteiro.
- Em 1176 nasce o primeiro rebento da união, Teresa Sanches. Nos restantes anos de matrimónio Dulce daria à luz pelo menos onze ou doze filhos (cinco/seis filhos e seis filhas): D. Teresa (1176), D. Sancha (1180), D. Constança (1182), D. Afonso II (1186-Abril), D. Henrique (1187-Abril?), D. Pedro e D. Fernando (1188-Março?), D. Henrique (1190?-Julho), D. Raimundo e D. Mafalda (1195?), D. Branca e D. Berengária (1196).
- Não se sabe se existiram um ou dois infantes de nome Henrique, e as datas em que aparecem os nomes dos infantes nos documentos régios pela primeira vez são contraditórias, por ex. não podia biologicamente a rainha entre Abril de 1186 e Março de 1188 ter dado à luz quatro filhos, a não ser que dois deles fossem gémeos.
- Assim como dificilmente teria dado à luz D. Raimundo e D. Mafalda no mesmo ano, a não ser que também fossem gémeos ou tivessem nascido um no princípio e outro no fim do ano.
- De todos os filhos, três ou quatro morreram ainda crianças (Constança, dois Henriques e Raimundo).
- Três foram posteriormente beatificadas pela igreja Católica (Teresa, Sancha e Mafalda).
- Três foram rainhas (D. Teresa, D. Berengária e D. Mafalda).
- Um foi rei de Portugal - Afonso II
- Dois foram governantes de espaços importantes da Cristandade - D. Fernando da Flandres e Hainaut e D. Pedro de Maiorca e Ibiza.
- Há no entanto alguns indícios de que a rainha possa ter dado à luz mais três filhos, (D. Maior, D. Dulce e D. Nuno) perfazendo um total de quinze.
- Onze ou doze ou quinze filhos num casamento que durou vinte e quatro anos é de assinalar.
- É por isso conhecida como "A Rainha Fecunda".
- Os infantes tornavam-se peças essenciais da estratégia política - A primeira geração europeia de Infantes de Portugal.
- Alguns autores defendem que D.Sancho e D. Dulce, apesar do casamento ter sido combinado, amavam-se de verdade, pois tão extensa prole e ausência de notícia de amantes durante o casamento parece ir muito para além da obrigação de gerar herdeiros.
- Sofreu com as ausências do marido, constantes gravidezes e complicados partos, surtos de fome e peste e epidemias que terão prejudicado a saúde do futuro Afonso II, rei leproso.
- Provavelmente a rainha também terá morrido de peste, num corpo enfraquecido pelos muitos partos, em 26 de Setembro de 1198, em Coimbra, aos trinta e oito anos e foi sepultada no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, junto dos sogros e mais tarde do marido.
- Depois da morte da rainha, Sancho envolveu-se com Maria Pais Ribeira (ribeirinha) e Maria Aires de Fornelos, das quais teve mais oito filhos.
Bibliografia: Branco, Maria João Violante Branco - D. Sancho I, Temas e Debates 2010; Marques, Maria Alegria Fernandes - Dulce de Aragão, a Rainha Fecunda, Ed.Quid Novis e Autores 2011, Colecção do Correio da
Manhã; Oliveira, Ana Rodrigues
de - Rainhas Medievais de Portugal, Esfera dos livros, 2010.

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