Notes on Medieval History and Others

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Capítulo II - Vestuário


Moda

  • Conceito surgiu no decorrer do séc. XIII;
  • Relação directa com as transformações económicas no mundo ocidental, especialmente o aumento das transacções comerciais à distância -Maior contacto entre os vários povos (surgiram as grandes feiras internacionais);
  • Nascimento de uma nova classe, a burguesia;
  • População concentrada na cidade, núcleos principais de actividade económica;
  • Vivendo na cidade, nobres e burgueses contactavam com outros nobres e outros burgueses;
  • Ao sair da igreja, tomar assento na assembleia camarária, participar nas festividades da cidade, o burguês sentia sempre o desejo de superar o seu concidadão (queria sempre ser o mais rico e o mais belo);
  • O nascimento da vida de corte suscitou também entre os nobres, competição na aparência;
  • A moda surgiu também das novas condições de produção: desenvolvimento da indústria têxtil, muitos tecidos diversos (cada cidade possuía o seu tipo de pano especial, de cujo fabrico só ela conhecia o segredo);
  • A evolução da arte da guerra também influiu na moda; Com o aparecimento da besta, tiveram que se adoptar novas peças defensivas;
  • O vestuário acompanhou a evolução dos estilos artísticos;
  • Acompanhou o decandentismo de uma sociedade: gosto pelo luxo especialmente na segunda metade do séc. XIV e séc. XV - Época de extremos (o homem oscilou entre o misticismo mais profundo e o prazer mais desregrado;
  • Viver a vida intensamente: sentimento de uma sociedade habituada às epidemias mais desvastantes, peste, fome, guerra;
  • Passagem de uma sociedade feudal e senhorial para uma sociedade pré-capitalista;
  • Sucessão rápida das modas mais diversas e absurdas;
  • Moda essencialmente de imitação: Copiaram-se figurinos franceses da corte de Luís, modas inglesas e italianas, e no séc. XV, modas da Borgonha;
  • A moda reflectiu também durante muito tempo a influência muçulmana;
  • Também influenciada pela maneira de vestir leonesa, castelhana e aragonesa;


Moda Feminina (Nobreza)
Roma antiga
·         Túnica com alças.
·         Estola e manto amplo a cobrir a cabeça ou véu.
Bizâncio
·         Fiel à tradição Romana.
·         Duas saias sobrepostas (a de cima mais curta que a de baixo).
·         Mangas largas.
·         Manto colocado de maneira diferente.

Alta Idade Média
·         Dupla saia
·         Manto e véu
·         Camisa interior de linho ou seda.

Séc. XII/XIII
·         Brial
o   Mangas largas
o   Decorado consoante a moda
o   Amplo sobre o peito
o   Apertava-se à maneira de espartilho, até às coxas e em seguida alargava-se numa saia plissada.
o   Usava-se por cima da camisa interior.
o   No séc. XIII estavam na moda mangas soltas que se cosiam pela manhã e se descosiam todas as noites!
o   O termo “brial” deixou de ser corrente a partir do séc. XIV.
o   Em 1253 chamava-se “saia” também a esta peça de vestuário trazida sobre a camisa, mas a sua forma poderia variar com a moda.
·         Pelote
o   Vestido muito amplo com cauda usado sobre a “saia”.
o   Poderia ser aberto, sem mangas e com enormes cavas até debaixo das ancas, que deixavam ver a “saia”.

Meados do séc. XIV em diante:
·         Permanência da camisa (ou alcandora), com grande decote à frente e mangas pouco justas, de linho.
·         Paninhos bem justos sobre os seios, por cima da camisa, para os sustentar.
·         Calças de pano ou malha presas com ligas por baixo do joelho.
·         Fraldilha (ou fraldrilha) em lã muito fina.

·         Cota
o    Vestido por excelência, substituto da “saia”, mas sem grandes diferenças desta.
o    Fazenda, veludo, seda, damasco, brocado.
o    Mangas estreitas e compridas.
o    Aberta nas costas até abaixo da cintura.
o    “Corset” em França  - Mangas curtas, deixando aparecer as da camisa.
o    Cota truncada: Apenas uma saia (no sentido moderno).

·         Opa
o    Vestido sobre a cota
o    Surcot, houppelande, robe francesa e borgonhesa.
o    Veio substituir o pelote.
o    No princípio era aberta e sem mangas (como o pelote) deixando ver a parte superior da saia ou da cota.
o    Passou depois a fechada, ganhou mangas estreitas ou largas e cobriu quase por completo a veste de dentro.
o    Podia ser abotoada dos lados à altura das cavas.
  
·     Cintura baixa até ao princípio do séc. XV, depois subiu e manteve-se pouco abaixo do peito. Em certas épocas usou-se na posição normal.
·         Séc. XV: Linha “S”- Gravidez perpétua!
·         Mulher do povo:
o    Tecidos lisos, lã ordinária, fustão ou bragal
o    Camisa de linho grosseiro
o    Opa sem mangas e mais curta
o    Aventais
o    Coifas, capuzes e sombreiros.

·         Materiais:
o    Fazenda de lã (mais utilizado).
o    Fabricados em Portugal - Bureís ou estamenhas, Linho (especialmente Bragal).
o    Importação do estrangeiro de quase todas as fazendas (escarlata – a mais cara e apreciada).

·         Cabelos
o    Tranças armadas sobre toucados.
o    Donzelas podiam ostentar cabelos caídos
o    Séc. XIV e XV – Tranças ao lado da cabeça em pacotinhos rectangulares ou compactas rodas.
o    Orelhas à mostra, testa sem cabelo, reunido debaixo de uma coifa, coberta depois pela crespina. 



França (481-752)
o    Túnica (longa camisa de linho ou sisal de decote baixo e mangas curtas) longa chamada “stola” adornada com faixas bordadas, braços nus. Broches a prender os ombros, cintos de couro.
o    Lenço (palla) drapeado em volta dos ombros.
o    Sobre a túnica usavam uma capa fechada por uma fivela no meio do busto.


Espanha (Séc. XII)

o    As mulheres ocidentais adoptaram o véu muçulmano e um pequeno véu cobrindo a parte inferior do rosto.
o    Vestidos moldados ao corpo – Abotoamento lateral.
o    Mangas compridas e amplas no punho.
o    Grinaldas de flores ou diademas c/ pedras preciosas
o    Toucas (junto com as grinaldas substituíram os véus.
o    1130 – Corpete do vestido, saia ampla, véu preso por um semi-círculo ou círculo completo de ouro em volta da testa.



Bibliografia: Marques, A.H. de Oliveira - A Sociedade Medieval Portuguesa, Sá da Costa Editora; Santos, Georgia M. de Castro - A Roupa, a Moda e a Mulher na Europa Ocidental Medieval, dissertação para obtenção do grau de mestre em Arte Contemporânea, Universidade de Brasília, 2006.  


Sem comentários: