Moda
- Conceito surgiu no decorrer do séc. XIII;
- Relação directa com as transformações económicas no mundo ocidental, especialmente o aumento das transacções comerciais à distância -Maior contacto entre os vários povos (surgiram as grandes feiras internacionais);
- Nascimento de uma nova classe, a burguesia;
- População concentrada na cidade, núcleos principais de actividade económica;
- Vivendo na cidade, nobres e burgueses contactavam com outros nobres e outros burgueses;
- Ao sair da igreja, tomar assento na assembleia camarária, participar nas festividades da cidade, o burguês sentia sempre o desejo de superar o seu concidadão (queria sempre ser o mais rico e o mais belo);
- O nascimento da vida de corte suscitou também entre os nobres, competição na aparência;
- A moda surgiu também das novas condições de produção: desenvolvimento da indústria têxtil, muitos tecidos diversos (cada cidade possuía o seu tipo de pano especial, de cujo fabrico só ela conhecia o segredo);
- A evolução da arte da guerra também influiu na moda; Com o aparecimento da besta, tiveram que se adoptar novas peças defensivas;
- O vestuário acompanhou a evolução dos estilos artísticos;
- Acompanhou o decandentismo de uma sociedade: gosto pelo luxo especialmente na segunda metade do séc. XIV e séc. XV - Época de extremos (o homem oscilou entre o misticismo mais profundo e o prazer mais desregrado;
- Viver a vida intensamente: sentimento de uma sociedade habituada às epidemias mais desvastantes, peste, fome, guerra;
- Passagem de uma sociedade feudal e senhorial para uma sociedade pré-capitalista;
- Sucessão rápida das modas mais diversas e absurdas;
- Moda essencialmente de imitação: Copiaram-se figurinos franceses da corte de Luís, modas inglesas e italianas, e no séc. XV, modas da Borgonha;
- A moda reflectiu também durante muito tempo a influência muçulmana;
- Também influenciada pela maneira de vestir leonesa, castelhana e aragonesa;
Moda Feminina (Nobreza)
Roma antiga
·
Túnica com alças.
·
Estola e manto amplo a
cobrir a cabeça ou véu.
Bizâncio
·
Fiel à
tradição Romana.
·
Duas
saias sobrepostas (a de cima mais curta que a de baixo).
·
Mangas
largas.
·
Manto
colocado de maneira diferente.
Alta Idade Média
·
Dupla
saia
·
Manto e
véu
·
Camisa
interior de linho ou seda.
Séc. XII/XIII
·
Brial
o
Mangas
largas
o
Decorado
consoante a moda
o
Amplo
sobre o peito
o
Apertava-se
à maneira de espartilho, até às coxas e em seguida alargava-se numa saia
plissada.
o
Usava-se
por cima da camisa interior.
o
No séc.
XIII estavam na moda mangas soltas que se cosiam pela manhã e se descosiam
todas as noites!
o
O termo
“brial” deixou de ser corrente a partir do séc. XIV.
o
Em 1253
chamava-se “saia” também a esta peça de vestuário trazida sobre a camisa, mas a
sua forma poderia variar com a moda.
·
Pelote
o
Vestido
muito amplo com cauda usado sobre a “saia”.
o
Poderia
ser aberto, sem mangas e com enormes cavas até debaixo das ancas, que deixavam
ver a “saia”.
Meados do séc. XIV em diante:
·
Permanência
da camisa (ou alcandora), com grande decote à frente e mangas pouco justas, de
linho.
·
Paninhos
bem justos sobre os seios, por cima da camisa, para os sustentar.
·
Calças
de pano ou malha presas com ligas por baixo do joelho.
·
Fraldilha
(ou fraldrilha) em lã muito fina.
·
Cota
o
Vestido
por excelência, substituto da “saia”, mas sem grandes diferenças desta.
o
Fazenda,
veludo, seda, damasco, brocado.
o
Mangas
estreitas e compridas.
o
Aberta
nas costas até abaixo da cintura.
o
“Corset”
em França - Mangas curtas, deixando
aparecer as da camisa.
o
Cota
truncada: Apenas uma saia (no sentido moderno).
·
Opa
o
Vestido
sobre a cota
o
Surcot,
houppelande, robe francesa e borgonhesa.
o
Veio
substituir o pelote.
o
No
princípio era aberta e sem mangas (como o pelote) deixando ver a parte superior
da saia ou da cota.
o
Passou depois
a fechada, ganhou mangas estreitas ou largas e cobriu quase por completo a
veste de dentro.
o
Podia
ser abotoada dos lados à altura das cavas.
· Cintura
baixa até ao princípio do séc. XV, depois subiu e manteve-se pouco abaixo do
peito. Em certas épocas usou-se na posição normal.
·
Séc. XV:
Linha “S”- Gravidez perpétua!
·
Mulher
do povo:
o
Tecidos lisos,
lã ordinária, fustão ou bragal
o
Camisa
de linho grosseiro
o
Opa sem
mangas e mais curta
o
Aventais
o
Coifas,
capuzes e sombreiros.
·
Materiais:
o
Fazenda
de lã (mais utilizado).
o
Fabricados
em Portugal - Bureís ou estamenhas, Linho (especialmente Bragal).
o
Importação
do estrangeiro de quase todas as fazendas (escarlata – a mais cara e
apreciada).
·
Cabelos
o
Tranças
armadas sobre toucados.
o
Donzelas
podiam ostentar cabelos caídos
o
Séc. XIV
e XV – Tranças ao lado da cabeça em pacotinhos rectangulares ou compactas rodas.
o
Orelhas
à mostra, testa sem cabelo, reunido debaixo de uma coifa, coberta depois pela
crespina.
França (481-752)
o
Túnica
(longa camisa de linho ou sisal de decote baixo e mangas curtas) longa chamada
“stola” adornada com faixas bordadas, braços nus. Broches a prender os ombros,
cintos de couro.
o
Lenço
(palla) drapeado em volta dos ombros.
o
Sobre a
túnica usavam uma capa fechada por uma fivela no meio do busto.
Espanha (Séc. XII)
o
As
mulheres ocidentais adoptaram o véu muçulmano e um pequeno véu cobrindo a parte
inferior do rosto.
o
Vestidos
moldados ao corpo – Abotoamento lateral.
o
Mangas
compridas e amplas no punho.
o
Grinaldas
de flores ou diademas c/ pedras preciosas
o
Toucas
(junto com as grinaldas substituíram os véus.
o
1130 –
Corpete do vestido, saia ampla, véu preso por um semi-círculo ou círculo
completo de ouro em volta da testa.
Bibliografia: Marques, A.H. de Oliveira - A Sociedade
Medieval Portuguesa, Sá da Costa Editora; Santos, Georgia M. de Castro - A Roupa, a Moda e a
Mulher na Europa Ocidental Medieval, dissertação para obtenção do grau de
mestre em Arte Contemporânea, Universidade de Brasília, 2006.
Sem comentários:
Enviar um comentário