- Idade Média: Período da História Europeia que tem início no século V(476 d.C.), e termina no século XV com o Renascimento (queda do Império Romano do Oriente, queda de Constantinopla - 1453 d.C.); Durou cerca de 1000 anos;
- 476 d.C. - as Invasões dos povos bárbaros atingiram toda a Europa, causando o fim do Império Romano do Ocidente; O período conturbado das invasões produziu efeitos negativos na economia europeia. Surgiu o Reino Visigodo e Suevo na Península Ibérica.
- Foi com o Imperador Constantino que o Cristianismo atingiu o estatuto de religião oficial do Império Romano. As invasões germânicas e todo o processo de desagregação do Império Romano resultaram num ambiente de insegurança que fez nascer, nas populações, a ideia de que a igreja era a única instituição capaz de lhes dar segurança.
- Após um período de calma, a Europa enfrenta, entre os séc.VIII e IX, uma segunda vaga de invasões. Entre 711 e 715, os Muçulmanos, oriundos do Norte de África, atravessando o Estreito de Gibraltar, ocuparam a Península Ibérica, iniciando uma onda de ataques e pilhagens nas costas francesa e italiana, o que originou uma quebra do comércio europeu com o Oriente.
- A presença Árabe nas regiões conquistadas evidenciou intensos contrastes civilizacionais. No entanto, para as áreas dominadas, essa presença resultou num enriquecimento cultural e científico em vários domínios.
- Os Muçulmanos (significa crente em árabe) são um povo originário da Península Arábica.
No séc. VIII, este território era habitado por um conjunto de tribos nómadas, povos desconhecedores de qualquer tipo de unidade política e religiosa.
Foi neste contexto que se destacou Maomé, um jovem pastor, nascido em 520.
Segundo a lenda, Maomé recebeu do anjo Gabriel a revelação de que era o profeta escolhido para pregar a palavra de Alá, o Deus do Islão. - A instabilidade e a violência provocadas pelas sucessivas invasões, e os conflitos constantes entre as famílias dominantes, conduziram, ao longo dos séculos VI a IX, na Europa, a transformações que tiveram consequências na vida das populações.
- A Europa, entre os séc. IX e XII era, fundamentalmente rural.
A população, que se sentia insegura e desprotegida, refugiou-se no campo onde praticava uma economia de subsistência, o que levou à progressiva ruralização da vida económica e social. Os monarcas, necessitando da ajuda militar da nobreza e do clero para fazerem face às constantes lutas e invasões, doaram-lhes terras e benefícios, fragmentando e enfraquecendo o poder régio. - A segurança dos castelos e dos mosteiros das zonas rurais atraíam as populações dos centros urbanos. Aí passaram a ficar na dependência dos donos das terras. As grandes propriedades (latifúndios), que pertenciam à aristocracia, passaram a concentrar toda a actividade das populações que aí viviam. A posse da terra era a base do domínio senhorial, espaço que o senhor explorava economicamente e sobre o qual exercia o poder administrativo e judicial.
- A sociedade senhorial assentava em hierarquias rigidamente estabelecidas e estava organizada em três ordens: clero, nobreza e povo. Dos critérios para se pertencer a uma destas ordens faziam parte: a origem familiar, a riqueza proveniente da posse da terra e o desempenho de cargos. As desigualdades sociais acentuadas por estes critérios, conduziram à existência de dois grandes grupos na sociedade medieval: Os privilegiados e os não privilegiados;
- Contrato de Vassalagem: Estabelecimento de uma rede de relações e laços de dependência entre os vários estratos sociais, com base em compromissos mútuos de carácter material e moral.
Esses laços de dependência estabeleciam-se entre o rei e os grandes senhores, entre estes e outros nobres de menor riqueza e poder e, ainda, entre estes e as populações que viviam no mesmo território, numa cadeia sucessiva de acordos que mantinham a sociedade coesa. - Em 711, o exército muçulmano, comandado por Tarik, venceu as tropas cristãs na batalha de Guadalete, no sul de Espanha, e progrediu rapidamente para norte, sem encontrar grande resistência da parte dos Visigodos. Com a ajuda de reforços, os Muçulmanos chegaram facilmente aos Pirenéus e tentaram continuar o seu movimento expansionista para o reino dos Francos, mas foram derrotados na batalha de Poitiers, em 732.
- Os primeiros núcleos de resistência à ocupação árabe da Península, foram organizados pelos Cristãos, que estavam refugiados nas Astúrias e nos Pirenéus. A partir daí, os Cristãos iniciam um processo de resistência e reconquista da península, que irá durar perto de oito séculos.
- Durante várias centenas de anos coabitaram na Península Ibérica duas religiões e duas culturas muito diferentes: a cristã e a muçulmana. As populações cristãs, que viviam sob o domínio muçulmano, mantendo muitos dos seus costumes (mantendo a sua religião) a troco do pagamento de impostos aos novos ocupantes, chamavam-se moçárabes.
- Na Península Ibérica, os contrastes entre o Sul islâmico e o Norte cristão eram bem visíveis: O Sul era urbano e mercantil, O Norte, montanhoso e pouco povoado, era rural e com economia de subsistência.
- As fronteiras dos reinos nas Astúrias e nos Pirenéus foram sofrendo avanços e recuos, determinados por momentos políticos favoráveis ou desfavoráveis pelos quais passavam Cristãos e Muçulmanos;
- Após a desintegração do califado, no séc. XI e posterior divisão em pequenos reinos de taifas, os Cristãos vão poder avançar para sul e ocupar vastos territórios; Assustados com os progressos cristãos, os reinos de taifas pediram ajuda aos almorávidas (guerreiros fanáticos do Norte de África) que, ao chegarem à Península, derrotaram os Cristãos.
- Perante a ameaça dos almorávidas e o recuo das fronteiras para Norte, o rei de Leão e Castela, Afonso VI, solicitou apoio militar aos Francos e à Igreja Católica; A Santa Sé concedeu à Reconquista, em 1064, o estatuto de Cruzada; Foi neste contexto que, com a intervenção da Ordem de Cluny e da Igreja, o rei dos Francos enviou os condes D.Raimundo e D.Henrique, acompanhados por cruzados, para ajudar na luta contra os infiéis;
- O conde D.Henrique casou com D.Teresa, em 1094, e o rei de Leão e Castela fez-lhe a doação de um feudo hereditário, o Condado Portucalense, que incluía as terras entre o rio Minho e o sul de Coimbra.
- A doação do Condado Portucalense obrigava o conde D.Henrique a defender esse território, a continuar a reconquista para sul e à prestação de vassalagem ao rei de Leão e de Castela; Apesar do juramento e de cumprir os deveres de vassalagem, D.Henrique procurou sempre manter alguma autonomia política em relação a Afonso VI.
- Após a morte de D.Henrique, D.Teresa assume controlo sobre o Condado, mantendo-se a política autonomista do marido e alia-se à nobreza da Galiza; Esta aliança causou grande preocupação aos nobres portucalenses, que temiam a anexação do Condado pelos galegos; D.Afonso Henriques toma o partido dos barões do Condado e enfrenta a mãe na batalha de S.Mamede, em 1128. D.Teresa refugia-se na Galiza, D.Afonso Henriques assume o governo do Condado;
- A sul conquistou algumas cidades aos almorávidas e, em 1139, na batalha de Ourique, na qual derrota os Mouros, intitulou-se pela primeira vez Rei, declarando a independência política do Condado Portucalense; D.Afonso VII, neto de D.Afonso VI, reagiu mal a esta atitude e iniciou um período de lutas. Só em 1143, com a assinatura do tratado de Zamora, D.Afonso VII reconhece a independência do condado;
- D.Afonso Henriques procura então o apoio da Igreja Católica, levando a cabo uma acção diplomática de negociação e pressão sobre o Vaticano, que culminou com a Bula Manifestis Probatum, em 1179, na qual o Papa confirma a independência do Reino de Portugal.
- Os reis que lhe sucederam continuaram a conquista do do território português para sul, até atingirem o Algarve. Região conquistada aos Mouros por D.Afonso III, depois da tomada aos Mouros de Silves e Faro, em 1249; Após o fim da Reconquista, o esforço de D.Afonso III dirigiu-se para acções de povoamento, que permitissem fixar populações a estes territórios, muitos dos quais ermos;
- Com as fronteiras de Portugal consolidadas pelo seu pai, D.Dinis vai finalmente acertar com os Castelhanos as fronteiras a leste; Em 1297, pelo tratado de Alcanises, Portugueses e Castelhanos acordam as fronteiras entre os dois países, que irão manter-se praticamente até aos dias de hoje.
Notes on Medieval History and Others
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
História Medieval Geral - Ideias Chave
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