- O conflito entre o monarca e o seu sucessor voltaria a surgir em 1323-1324.
- O infante tentou entrar em Lisboa e D.Dinis opôs-se, acendendo-se o combate em Santarém. Mais uma vez a rainha pôs fim ao conflito, no célebre episódio em que a rainha, no cimo de uma mula que ninguém conduzia pelas rédeas se interpôs no meio dos dois exércitos e saiu intocada.
- O rei e o infante regressaram respectivamente a Lisboa e a Santarém em 1323, mas não tardou até eclodir novo conflito.
- O desgaste provocado pelo prolongamento da guerra civil desencadeou intervenções de cavaleiros e escudeiros alinhados com o rei ou com o infante para pôr fim aos combates, acabando em definitivo com a guerra que os opunha.
- A paz acordada em 25 de Fevereiro de 1324 fixava compromissos políticos e designava dois «juízes» de cada parte para dirimirem qualquer atrito que pudesse surgir.
- O rei aceitou algumas exigências do infante, nomeadamente, fez sair de Portugal Afonso Sanches, retirando-lhe terras e rendas e atribuiu ao infante trinta mil maravedis «em dom».
- Como tributo de lealdade, o infante indicou os castelos da Feira e de Gaia, e o rei os de Celorico da Beira e de Faria.
- O Papa João XXII escreveu, nos anos seguintes, uma carta de reprimenda a D.Afonso pela sua conduta de desobediência ao pai e destruição do reino que ele próprio viria a herdar.
- Outras fontes documentais revelam-nos que existiam outras causas para a crise política atrás enunciada: nomeadamente a centralização do poder levada a cabo por D.Dinis, que actuou no sentido de suster e contrariar os poderes de cariz senhorial.
- Realizou repetidas e sistemáticas inquirições gerais, inquéritos à propriedade e ao exercício de direitos realizados por oficiais régios, alargados a novas regiões do reino, que além de levantarem terras e rendas do rei, pretendiam fixar os limites das honras, as terras imunes que eram detidas pela nobreza.
- Procurava sobretudo contrariar os abusos e intuitos expansionistas dos senhores, efectuados à custa de prerrogativas régias.
- Desgastada e desiludida por o rei não aceitar minimamente as suas reivindicações, a uma grande parte da nobreza não restou outra escolha senão a via da revolta. D.Afonso, descontente com os irmãos bastardos que ocupavam importantes cargos, seria o líder natural desta revolta.
- Depois do acordo de Fevereiro, a guerra não voltou a eclodir porque o Estado de saúde do rei se agravou e este morreu em Janeiro do ano seguinte.
Bibliografia: Sousa, Bernardo Vasconcelos e - D.Afonso IV, Ed. Temas e Debates
Sem comentários:
Enviar um comentário