Notes on Medieval History and Others

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Afonso IV – O Infante Rebelde

  • No Livro de linhagens, a causa apontada para a eclosão da guerra entre o rei e o filho é a alegada decisão de D.Dinis, «que queria que reinasse Afonso Sanches seu filho de barregã». No entanto, tal afirmação contrasta com as afirmações várias vezes repetidas de que teriam sido semeadas intrigas entre o rei e o infante, especialmente da parte de Gomes Lourenço de Beja, vilão advogado, filho de um carpinteiro.
  • São apontadas outras razões, para a rebeldia do infante, como a grande cobiça desordenada de cobrar os tesouros que o rei tinha e a ideia de ser ele o único a exercer poderes de justiça, em vez do rei.
  • Segundo algumas fontes, o príncipe estava equivocado e duvidava que o rei gostasse dele, por amar tanto os filhos bastardos.
  • Aqui ganham relevo alegadas más influências em redor de D.Afonso que o induziram a incompatibilizar-se com o pai, dando origem a ciúmes, invejas e desconfianças do herdeiro do trono.
  • D.Afonso cometeu uma série de atrocidades contra D.Dinis. Entre elas, uma conspiração entre o infante Português e o infante Pedro de Castela, indo este último atacar Portugal para que D.Afonso fosse nomeado herdeiro defensor da fronteira que viesse a ser atacada e fingisse ter organizado a defesa do reino livrando-o do sofrimento e da destruição da guerra. E assim D.Afonso poderia apoderar-se do governo do reino português e aceder às riquezas da coroa.
  • Pediu à sua sogra, rainha castelhana, que interviesse junto de D.Dinis para que o infante ficasse a reger a justiça.
  • Engendrou um plano para que o seu meio-irmão, Afonso Sanches fosse acusado de encarregar alguns dos seus homens de prepararem veneno para assassinar o infante. Para o efeito chegou inclusive a falsificar uma escritura pública na qual supostamente um homem confessou antes de falecer ter sido encarregado de produzir o veneno para matar D.Afonso.
  • O rei queixava-se da ingratidão do infante, ao qual deu casa com muita terra e muitos e bons vassalos, ainda ele não tinha seis anos, coisa que nunca sucedera a nenhum outro herdeiro da coroa. Considerava que D.Afonso estava rodeado de malfeitores, que os protegia, impedindo a justiça régia de actuar sobre eles. Protegia inclusive assassinos, assaltantes, ladrões, violadores e exilados em Castela, num claro desafio à autoridade do rei.
  • O próprio Papa João XXII foi chamado a pronunciar-se sobre a situação portuguesa, por D.Dinis, e afirmou que jamais o monarca lhe pedira a ele ou a seus antecessores, para que o bastardo viesse a suceder no trono português.
  • Mas nem a intervenção do Papa sossegou D.Afonso, que marchou rumo a Lisboa, alegando ir em romaria a S.Vicente. Fez-se acompanhar por «malfeitores e degredados», suscitando a reacção régia de vedar o caminho ao infante.
  • Os seguidores do rei preparavam-se para se dirigir a Sintra, para atacar D.Afonso de madrugada. Mas D.Isabel avisou o filho e este evitou o confronto, mas não obedeceu ao pai e tomando armas contra este, incorreu no crime de traição.
  • O conflito chegou então ao seu auge, a guerra estava instalada e em 1320 o infante levou a mulher e os filhos para Castela, para ficarem mais protegidos.
  • D.Dinis mandou difundir em todo o reino, através de cartas, que todos os que apoiassem o infante dali para a frente eram considerados traidores. Ordenou aos Alcaides e aos agentes da justiça régia que matassem os partidários do infante onde quer que se encontrassem. A Crónica de 1419 afirma que o rei fez recolher D.Isabel a Alenquer, para que ela não informasse o infante dos seus planos.
  • Foi no Norte do país que o infante se moveu mais à vontade, tomou o Castelo da Feira, o castelo de Gaia e a cidade do Porto.
  • Em Março de 1322, sucederam-se os conflitos nas imediações de Coimbra, combates cruéis e fratricidas, em que país matavam filhos, filhos matavam país e irmãos matavam irmãos.
  • As muitas atrocidades cometidas por ambas as parte, suscitaram uma nova intervenção pacificadora, da parte da rainha e do conde D.Pedro, reconciliando-se as partes desavindas em Maio de 1322. O preço que o monarca aceitava pagar incluía o afastamento de Afonso Sanches.

Bibliografia: Sousa, Bernardo Vasconcelos e - D.Afonso IV, Temas e Debates

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