- No primeiro quartel da centúria de trezentos, não era do exterior que vinha o perigo para a paz no reino português. A reconquista cristã na Península Ibérica prosseguia já relativamente longe de Portugal, nos campos da Andaluzia.
- Existiam conflitos no seio da própria casa real e o infante Afonso estaria no centro destes, longe do modelo do bom príncipe...
- A historiografia oficial registou-o como sendo «sempre mui desobediente em muitas cousas que devera de ser pelo contrairo» relevando os seus conflitos com o pai, D.Dinis, «porque, segundo lei de Deus, os filhos são teudos de obedecer aos pais, e este não foi assim».
- O infante teria entre 26 e 34 anos na pior fase destes conflitos, que teriam começado quando o mesmo se tornou autónomo depois de constituída a sua própria casa.
- A relação do legítimo herdeiro com os filhos bastardos do rei, seria a principal fonte de desavenças.
- Entre aqueles importa destacar, nascidos antes mesmo dos infantes legítimos, Pedro Afonso, o mais velho, nascido por volta de 1285, Afonso Sanches, nascido talvez em 1288 e João Afonso, provavelmente nascido em meados dos anos 90 do séc. XIII.
- Pedro Afonso desempenhou o importante cargo de alferes-mor de D.Dinis, sendo o terceiro detentor do título de conde de Barcelos (o primeiro título nobiliárquico então existente no reino).
- O rei doara a D.Pedro grandes e valiosas terras na região de Lisboa.
- Acompanhou o rei quando este partiu para Aragão para intervir no conflito entre este reino e Castela, para tentar estabelecer a paz.
- D.Pedro foi também nomeado mordomo de D.Beatriz, mulher do Infante.
- Casou com Branca Peres, herdeira de grande fortuna. Por morte desta herdou a sua fortuna e casou novamente, com outra rica herdeira, Mariana Ximenes Coronel.
- D.Pedro era assim um dos nobres mais ricos e influentes dos seus tempos.
- Procedeu à distribuição de bens por inúmeros fidalgos e possuía os melhores vassalos.
- A sua ligação à mulher do infante e à velha nobreza senhorial levaram-no a tomar o partido de D.Afonso contra D.Dinis, vindo a exilar-se em Castela.
- Em 1322 regressou a Portugal e desempenhou um papel activo na reconciliação entre D.Dinis e o infante, acabando por se colocar ao lado do monarca até à morte deste.
- D.Pedro foi uma figura central no panorama político e cultural português da primeira metade do séc. XIV.
- Foi importante autor de várias obras literárias, como o Livro das Linhagens do Conde D.Pedro (134o-1344 - extensíssimo nobiliário que descreve sucessivas gerações de famílias da nobreza peninsular, com cerca de 5.000 pessoas) e a Crónica Geral de Espanha (1344).
- Escreveu ainda poesia trovadoresca.
- D.Dinis tinha uma especial predilecção pelo seu filho bastardo Afonso Sanches, tal era por exemplo referido na Crónica acima referida, escrita pelo conde D.Pedro.
- D.Dinis nomeou Afonso Sanches seu mordomo-mor, cargo muito importante na política régia, que este desempenhou durante onze anos.
- Afonso Sanches herdou a parte mais valiosa da fortuna do primeiro conde de Barcelos, João Afonso Telo, por ter casado com a filha deste, Teresa Martins Telo.
- O outro filho bastardo, João Afonso, foi mordomo-mor no final do reinado do pai, sucedendo no cargo a Afonso Sanches, que acompanhava de muito perto. Foi também alferes-mor, cargo militar de maior prestígio.
- Estes três bastardos régios marcaram os últimos anos do reinado de D.Dinis e os primeiros de D.Afonso IV.
- Sobretudo Afonso Sanches era uma enorme preocupação para o herdeiro da coroa.
- D.Afonso sabia que tinha nascido e fora casado para reinar em Portugal, mas com tão poderosos e influentes irmãos, poderia haver motivo para desconfiança, que veio a tornar-se mesmo uma obsessão.
Bibliografia: Sousa, Bernardo Vasconcelos e - D.Afonso IV, Temas e Debates
Sem comentários:
Enviar um comentário