Notes on Medieval History and Others

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Parte 6 - A Sociedade Senhorial (continuação)

O Prestígio do Clero
  • Apesar da instabilidade política, social e económica, a Igreja Católica continuou a desenvolver-se internamente e a manter as suas estruturas estáveis e bem organizadas.
  • Os serviços que os membros do clero foram prestando aos monarcas, e a religiosidade da época possibilitaram-lhes grande poder económico, influência e privilégios:
  1. Recebiam grandes doações em terras e outros bens, e por isso tornaram-se grandes proprietários e senhores muito ricos;
  2. Exerciam cargos administrativos importantes junto do poder central (na corte ou do rei) ou do poder local (nas dioceses e paróquias);
  3. Estavam isentos do pagamento de impostos;
  4. Tinham tribunais próprios (não sujeitos à justiça dos reis, mas da igreja);
  5. Cobravam rendas e outros benefícios aos camponeses que viviam nas suas propriedades;
  6. Tinham o domínio da cultura e do saber - Praticamente só o clero sabia ler e escrever na Idade Média.
  7. Conservavam nas suas bibliotecas o legado de civilizações antigas (Grécia e Roma), dedicando-se a copiar, pacientemente, livros de valor incalculável e a ensinar os mais jovens.
  • O clero gozava também de muito prestígio junto das populações:
  • Estavam presentes em todos os momentos das suas vidas (nascimento, casamento e morte);
  • Prestavam assistência aos doentes e aos pobres;
  • Acolhiam as pessoas nos mosteiros e nas igrejas sempre que a violência o justificava;
  • Mas acima de tudo, numa época de profunda fé e religiosidade, os membros do clero eram considerados os intermediários entre Deus e os Homens;
  • No entanto existiam grandes diferenças entre o alto e o baixo clero:
  • Alto clero: Os seus membros (bispos e abades) eram detentores de cargos importantes e estavam à frente das grandes propriedades das igrejas e dos mosteiros. Cobravam rendas e impostos às populações que trabalhavam nos seus domínios. Muitas vezes estes membros (normalmente filhos de nobres) não tinham verdadeira vocação religiosa, mas eram atraídos pelos cargos atractivos que lhes eram concedidos. A sua vasta preparação cultural garantiam-lhes influência e prestígio.
  • Baixo clero: (monges e párocos) Eram provenientes do povo, não usufruíam das regalias e dos privilégios dados ao alto clero.
  • Entre os séc. X e XI, devido às riquezas acumuladas , à vida faustosa e à falta de preparação e e vocação religiosa dos membros do alto clero, a Igreja passou por uma crise moral.
  • Esta situação obrigou alguns Papas a definirem novas regras com o objectivo de disciplinar a instituição.
  • Destaca-se a criação de várias ordens religiosas, especialmente: Ordem de Cluny e a Ordem de Cister e as ordens militares dos Templários e dos Hospitalários.
  • A primeira ordem a ser fundada foi a de Cluny, que passou a depender directamente da Santa Sé. Os seus monges dedicavam-se sobretudo à oração e ao canto. Os trabalhos agrícolas e artesanais eram deixados aos servos e aos outros trabalhadores.
  • Ao longo do tempo, os ideais que presidiram à sua criação foram sendo esquecidos e os velhos hábitos de opulência voltaram.
  • É neste contexto que surgem a Ordem de Cister, cujos monges estavam obrigados a seguir uma regra de vida austera e dedicada ao trabalho. Os monges cistercienses foram responsáveis pelo povoamento das zonas rurais onde estavam implantados. Nos seus mosteiros desenvolveram-se algumas técnicas agrícolas que conduziram ao aumento da produtividade.
  • As ordens militares, formadas por monges cavaleiros, tinham como principal função proteger os peregrinos que se deslocavam à Terra Santa.
  • Existiam santuários muito visitados pelos peregrinos. Nos caminhos para as peregrinações foram surgindo pequenos negócios de apoio às pessoas e aos animais, hospedarias e povoados. As viagens eram perigosas, por isso os peregrinos viajavam em grupo.
    Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores

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