A Economia e a Sociedade Após as Grandes Invasões
- A instabilidade e a violência provocadas pelas sucessivas invasões, e os conflitos constantes entre as famílias dominantes, conduziram, ao longo dos séculos VI a IX, na Europa, a transformações que tiveram consequências na vida das populações:
- Decadência do uso do comércio e do uso de moeda, devido à insegurança das comunicações e à desorganização provocada pelas guerras;
- Declínio das cidades, alvos preferenciais das pilhagens, e a consequente fuga e morte das populações;
- Desorganização administrativa, resultante do enfraquecimento dos poderes centrais;
- Perda de prestígio dos reis, que não conseguiam proteger as populações;
- Acentuada baixa demográfica causada pelas guerras e pela estagnação económica;
- Fraco desnvolvimento cultural;
- A Europa, entre os séc. IX e XII era, fundamentalmente rural.
- A população, que se sentia insegura e desprotegida, refugiou-se no campo onde praticava uma economia de subsistência, o que levou à progressiva ruralização da vida económica e social.
- Os monarcas, necessitando da ajuda militar da nobreza e do clero para fazerem face às constantes lutas e invasões, doaram-lhes terras e benefícios, fragmentando e enfraquecendo o poder régio.
- A segurança dos castelos e dos mosteiros das zonas rurais atraíam as populações dos centros urbanos. Aí passaram a ficar na dependência dos donos das terras.
- As grandes propriedades (latifúndios), que pertenciam à aristocracia, passaram a concentrar toda a actividade das populações que aí viviam.
- A posse da terra era a base do domínio senhorial, espaço que o senhor explorava economicamente e sobre o qual exercia o poder administrativo e judicial.
Os Grandes Domínios Senhoriais
- Os domínios senhoriais ou feudos (propriedade ou outro bem entrgue ao vassalo pelo seu suserano) eram extensas propriedades rurais que pertenciam aos grandes senhores da nobreza e do clero.
- Estes latifúndios, por questões de exploração administrativa e económica, estavam divididos em duas partes:
- A Reserva - Área da propriedade explorada directamente pelo senhor e onde se encontrava a sua residência (o castelo ou mosteiro). Nesta encontravam-se também o moinho, o forno, o lagar, o celeiro, e algumas alfaias agrícolas fundamentais para a produção dos bens de consumo. Nela trabalhavam camponeses camponeses livres e não livres (servos). Os camponeses livres eram obrigados a trabalhar alguns dias por semana, gratuitamente para o senhor. A esta obrigação chamava-se corveia.
- Os Mansos - Pequenas parcelas de terra do domínio senhorial, arrendadas aos camponeses. O pagamento pelo arrendamento era feito em géneros e serviços. A falta de moeda levava a que o camponês pagasse com uma parte do produto resultante da colheita e trabalhasse determinados dias na reserva.
- Banalidades - Imposto cobrado pelo uso do forno, do moinho e do lagar.
- As florestas e as pastagens eram livres, mas na floresta os camponeses apenas podiam apanhar lenha.
- Para além da cobrança de impostos e serviços, o senhor tinha o direito de aplicar a justiça.
A Sociedade Tripartida
- A sociedade senhorial assentava em hierarquias rigidamente estabelecidas e estava organizada em três ordens: clero, nobreza e povo.
- Dos critérios para se pertencer a uma destas ordens faziam parte: a origem familiar, a riqueza proveniente da posse da terra e o desempenho de cargos.
- As desigualdades sociais acentuadas por estes critérios, conduziram à existência de dois grandes grupos na sociedade medieval:
- Os privilegiados - Uma minoria poderosa e cheia de regalias, à qual pertenciam o clero e a nobreza.
- Os não privilegiados - Cosntituídos pela maioria da população, dos quais faziam parte os camponeses, os artífices e os pequenos comerciantes, dependentes dos grupos sociais privilegiados e que praticamente só tinham obrigações.
Bibliografia: Cyrne, Joana e Henriques, Marília - Cadernos de História 7 - Partes 3 e 4, Areal Editores
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